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curta: Milan

por Marcio Miranda Perez comentários

Algumas cinematografias muitas vezes alimentam-se de caros e complexos temas históricos para compor narrativas densas e de forte apelo. Grandes guerras, por exemplo, são focos constantes de pensamento crítico dentro do cinema de diversos países.

Michaela Kezele, alemã de nascimento, filha de uma sérvia e um croata, tem sua história marcada pelo sangrento conflito nos Bálcãs na década de 90. Chegou a viver com os pais em Dubrovnik, Croácia, mas abandonou a terra natal de seu pai por causa do avanço da guerra em 1991. Durante seus anos de estudo de cinema em Munique, Michaela realizou um curta que expõe suas inquietações: Milan.

Produzido em 2007, o curta de 22 minutos relata um dia na vida de uma família no interior da Sérvia, vivendo em meio aos constantes bombardeios da OTAN ao país em 1999. O irmão maior de Milan, Ognjen, sofre um acidente e fica entre a vida e a morte num hospital da região, enquanto Milan, sem saber de nada, segue a rotina de uma velha brincadeira entre os dois irmãos e vai procurar Ognjen num bosque, encontrando no entanto um piloto americano pendurado em uma árvore.

Michaela conta que se inspirou no desejo de contar a história do conflito sob a ótica dos habitantes locais, em contraste com o que ouvia na mídia. “Se estourasse uma guerra na Alemanha, o que aconteceria? Nós iríamos ao trabalho? Eu continuaria indo à escola de cinema?”, questiona. “Não se pode dizer que todos os sérvios são maus, ou que todos os americanos são maus. Cada um toma suas decisões.” O resultado é um filme denso e ambíguo, em que as consequências das atitudes de cada personagem dita seu destino e de outros, no inóspito clima da guerra.

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