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cine nacional: Rodrigo Santoro é incansável

por Ricardo F. Santos comentários

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Com Heleno (2012, José Henrique Fonseca) quase saindo de cartaz, achei que meu pretexto para falar sobre o ator que interpretou o protagonista e também foi codiretor desta história corria o risco de ir embora junto. Revendo duas entrevistas mais antigas com ele (e espiando uma outra que a GNT exibiu neste domingo, mas a que eu não pude assistir), tive mais certeza do que realmente desde há algum tempo: Rodrigo Santoro é um cara franco e humilde, ator versátil, incansável e muito esforçado (ok, além de bonitão).

Começando de trás pra frente, note-se primeiro que Rodrigo emagreceu 12 kg e treinou muito futebol para interpretar o bad boy da década de 1940. Além do esforço físico, o envolvimento com o projeto fez o diretor convidá-lo para formalizar sua participação como codiretor da produção, como o ator conta na entrevista à Marília Gabriela:

“Começamos a conversar, produzir essa pesquisa, aí o primeiro roteiro ficou pronto, fiz um monte de anotações, trazia pra ele… Ou seja, fui me envolvendo naturalmente com o roteiro, com toda a parte artística do projeto. E aí um belo dia ele chegou e disse, Vamos produzir juntos. Eu falei Rapaz, eu não tô pensando em produção não, prefiro me concentrar aqui, tentar fazer esse personagem que já é complexo o suficiente, e ele falou: Não, rapaz, você já está produzindo artisticamente, então vamos oficializar. Eu topei, e aí veio toda a prática, que é sair, captar…”

Logo antes, Rodrigo havia saído de um projeto internacional, o longa-metragem O que Esperar Quando Você Está Esperando (What to Expect When You’re Expecting, 2012), baseado no best-seller homônimo. Filmou com Cameron Diaz e Jennifer Lopez, e formou com esta um casal prestes a adotar uma criança. “A minha personagem nesse filme é alguém que não está pronto pra ser pai. Um camarada jovem, cuja mulher não pôde ter filho, ela resolve adotar uma criança e ele não se sente pronto pra isso. Então a jornada dessa personagem é exatamente a de tentar abraçar essa ideia e se sentir mais seguro”, contou ele em uma entrevista ao programa ‘Almanaque’, da Globonews.

Antes ainda de virar um rapaz prestes a ser pai, fez um cafetão viciado em drogas em Reis e Ratos (2012, Mauro Lima) que, confesso, não assisti. Volte um pouco mais e você vai vê-lo no complexo papel de um “vulcão silencioso”, um brasileiro que deixa uma vida de sucesso construída na Itália após a morte do pai e se depara com uma empresa falida, o irmão perdendo tudo no jogo e a irmã abandonada em uma clínica psiquiátrica. “Marcos começa a jornada de um jeito e acaba de outro. Ele consegue se abrir, e isso acontece através dos irmãos, através do afeto. O filme fala disso, de relação, de olho no olho, de sair do seu mundo, do seu egoísmo, e poder se olhar, se relacionar, e tentar viver o aqui e o agora”, disse Rodrigo em outra entrevista sobre Meu País (2011, André Ristum).

Para não me alongar, poderia citar ainda o papel de Raúl Castro na sequência de filmes sobre Che Guevara, de Steven Soderbergh (ambos de 2008), o destaque que teve como Xerxes na mega-produção 300 (2006, Zack Znyder) e o papel naquela fofura de filme que é Simplesmente Amor (2003, Richard Curtis), isso lá fora. Em território nacional, Rodrigo Santoro teve um brilhante início de carreira, com atuações fenomenais em Carandiru (2003, Hector Babenco), Abril Despedaçado (2001, Walter Salles) e Bicho de Sete Cabeças (2001, Laís Bodanzky).

Rodrigo Santoro não pára. Parece buscar novos papéis sem parar, cada vez mais desafiadores, mais contraditórios, mais complexos, fora dessa “zona de conforto” que vemos tragar muitos atores. Em suas entrevistas, contato mais próximo possível dele que não o próprio filme, vê-se que ele estuda o personagem com um compromisso seríssimo, pensa profundamente sobre a função da história e como seu papel nela se insere. Só resta ficar na torcida para que ele continue se desafiando e fazendo essas interpretações incríveis.

Comentários
  • http://twitter.com/MariaElisameira Maria Elisa meira

    Ele é mesmo o maximo! Humilde, talentoso e lindo.Agora só falta um grande amor que espero seja a bruna martquezine, menina linda, talentosa,humilde e de familia. Eles nasceram como almas gemeas.Um para o outro