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cine nerd: A Origem

por Igor Appolinario comentários

Inception

“You mustn’t be afraid to dream a little bigger, darling”.

Olá Nerds!

Sucesso de crítica e público, A Origem (2010) surgiu da cabeça do inventivo diretor Christopher Nolan (Amnésia – 2000, O Grande Truque – 2006, Trilogia Batman – 2005/2008/2012) muitos anos antes de seu lançamento. Mas como produzir uma obra tão grandiosa sem os recursos necessários?

Após a aclamação de Nolan, como diretor do Batman, ele teve o apoio dos estúdios Warner Bros. para traduzir sonhos em realidade. Passado em um futuro muito próximo, onde uma tecnologia militar permite criar sonhos e induzir pessoas a sonharem conscientemente dentro deles, um grupo de “ladrões de sonhos” usa suas habilidades para roubar informações confidenciais do subconsciente de suas vítimas.

Dom Cobb (Leonardo di Caprio) é um arquiteto que se torna Ladrão de Sonhos, auxiliado por uma gangue de profissionais especializados. Nolan disse em entrevista que cada papel do time foi pensando como uma função da produção de um filme: Cobb, um homem atormentado pelo seu passado, é o diretor; Arthur (Joseph Gordon-Lewitt), o braço-direto de Cobb, é o produtor; Ariadne (Ellen Page), a jovem arquiteta, é a designer de produção; Eames (Tom Hardy), o falsificador, é o ator; Saito (Ken Watanabe), o contratante dos trabalhos do time, é o estúdio; e Fischer (Cillian Murphy), o jovem herdeiro de uma multimilionária corporação, é a audiência. “Tentando escrever sobre um processo criativo feito em grupo, eu escrevi sobre aquele que eu conheço”, disse Nolan.

Com essa reunião de qualidades e intenções que são desveladas ao longo do filme, vemos diante de nós um excelente exemplar de ficção científica misturado com heist movie (filme de assalto, como, por exemplo, Onze Homens e Um Segredo – 1960). A direção firme e detalhada de Nolan e a parceria mais do que bem aceita com Hans Zimmer na trilha sonora, criam um filme tenso e grandioso.

A trilha sonora é um quesito a parte: os arranjos pensados de metais que permeiam a trama são exertos trabalhados da famosa canção “Non, je ne regrette rien” da cantora francesa Édith Piaf. A mesma canção é usada no filme como parte do processo de entrar nos sonhos, servindo como aviso aos participantes de que seu tempo está no fim. A letra da canção em si tem muito a ver com o plot, pois divaga sobre lembranças de amores perdidos e dos males que eles podem trazer. Marion Cotillard (Piaf, Um Hino de Amor – 2007), que interpreta a esposa de Cobb, Mal, fez Édith Piaf no cinema, o que quase fez com que Nolan substituísse a música escolhida para que não houvesse insinuações de falta de originalidade. Hans Zimmer o dissuadiu de desistir de um elemento tão importante da trama e da ambientação do filme. O filme tem o tempo total de 2h28min, similar aos 2min28segundos da gravação original de “Non, je ne regrette rien” de Édith Piaf.

Fora a parte sonora, A Origem é um deleite para os olhos. Com mirabolantes construções virtuais e/ou com ajuda de efeitos visuais mecânicos, Nolan prestigia muito da criação do artista gráfico holandês M.C. Escher, perito em desenhos arquitetônicos que desafiavam a lógica. Sua obra “A Escadaria Infinita” foi a óbvia inspiração para a cena em que Arthur mostra a Ariadne (Na escada contínua, com a mulher pegando papéis do chão) como a criação dentro do mundo dos sonhos pode desafiar a física.

O cuidado de Nolan com o roteiro, que demorou 8 anos para ficar pronto, foi tanto que até o nome dos personagens principais tem significados além do comum: Mal (Marion Cotillard), uma abreviação de Malorie, originado do francês malheur, traduz-se como “desgraça”, além de significar literalmente “o Mal” em muitas línguas latinas; Ariadne era a princesa grega que ajudou o herói Teseu a derrotar o Minotauro, dando a ele uma linha para que ele pudesse escapar do Labirinto; Yusuf (Dilepp Rao), o segundo químico, é nomeado como o profeta bíblico “José”, capaz de interpretar sonhos; Há quem acredite ainda na intencionalidade dos nomes dos personagens formarem a palavra “Sonhos” (Dom Cobb, Robert, Eames, Arthur e Saito – DREAMS).

Pelo cuidado com a criação dos personagens, na transposição do mundo dos sonhos para as telas, e por ser um dos mais emocionantes heist movies da atualidade, A Origem merece estar na cinemateca de qualquer Nerd.

E uma curiosidade final, que pode ajudar a desvendar o final do filme: Cobb está usando seu anel de casamento (tirando as cenas de flashback) somente quando ele está dentro do mundo dos sonhos…

Até semana que vem com mais Cinema Nerd!

Igor Appolinario
Igor Appolinario

Nerd inveterado, ainda procura a Pergunta para a Vida, o Universo e Tudo Mais. Escreve sobre Cinema Nerd, pra divertir e informar o pessoal interessando em sempre quer saber um pouco mais.

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Comentários
  • lumi7blog

    Um dos meus filmes favoritos nos últimos anos. Parabéns pela lembrança e por coroá-lo com esse belíssimo texto. Filmaço!!!

  • Igor Rodrigo Gomes Appolinario

    Está no meu TOP10 também, com certeza.
    Obrigado!

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