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Entrevistas

Coletiva – ‘Heleno’

por Raphael Camacho comentários

Heleno-Rodrigo-Santoro

Aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 11 de março, a coletiva de imprensa do filme Heleno, novo trabalho de José Henrique Fonseca, que tem no elenco Rodrigo Santoro, Alinne Morais e a atriz colombiana Angie Cepeda.  Ao longo de aproximadamente 50 minutos, conhecemos um pouco desse novo projeto do nosso cinema e entendemos melhor como foi feita a composição dos personagens, a pesquisa para o filme, o uso do Preto e Branco entre outros tópicos respondidos com muita simpatia pelos entrevistados.

Abaixo o que de melhor aconteceu nessa conversa com os jornalistas.

- Porque fazer um filme sobre Heleno de Freitas?

José Henrique Fonseca: Porque é um personagem excelente, carismático uma vida cheia de drama. Já escutava falar dele quando eu era pequeno, era um ícone aqui de Copacabana. Uma vida cheia de intensidade, daria e deu um filme muito bom.

- Como foi a preparação para viver o protagonista?

Rodrigo Santoro: A preparação foi um processo longo, começou desde o primeiro dia quando começamos a falar sobre o personagem. O protagonista da trama é um mito. Conhecemos o Heleno através de biografias, histórias e aos poucos fomos tentando entender como era o homem por trás dos problemas e das histórias. Praticamente o que eu fiz foi trabalhar com o Sergio Penna, preparador do nosso elenco, fiz aulas de fundamentos do futebol com o Claudio Adão durante mais ou menos dois meses, praia e campo, mesmo não se tratando de um filme de futebol mas é a história de vida de um jogador de futebol, assim eu achei importante entender o processo de treinamento profissional e depois disso muita pesquisa, conversamos muito.

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- Você conhecia a história de Heleno de Freitas?

Rodrigo Santoro: O nome só. Eu não tinha certeza que ele era um jogador do Botafogo, eu não sabia . Umas das coisas que eu achei interessante em fazer o filme, vem do fato, que a minha geração não conhece o Heleno, um personagem extremamente importante, patrimônio do futebol brasileiro que foi esquecido lá nos anos 40. É uma grande história, também uma grande razão para fazer esse filme era contar essa história para minha geração, para os mais novos, para os que nunca ouviram falar. É uma história muito interessante.

- Quem é o Heleno para você? (Pergunta feita para Rodrigo Santoro)

Rodrigo Santoro: Nossa…seu eu soubesse?! Eu prefiro não definir, acho difícil definir as pessoas, acho que nós não somos uma equação, não dá pra dizer: ‘o heleno é assim…’  Ele tinha muitos adjetivos, era um cara complexo, eu sempre tive essa dificuldade de definir o Heleno. Eu nunca busquei defini-lo, eu sempre procurei encontrar a humanidade dele, quem foi na sua essência. Ele era um grande jogador de futebol, um homem movido pela paixão e sua grande paixão na vida era o futebol, ele abdicou de uma vida de luxo, a família era muito rica, ele era advogado formado e abdicou de tudo para viver da sua paixão: o futebol. Acho que ele foi esse homem que buscou seu melhor sempre e acabou tendo um final trágico.

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- Como surgiu o projeto do filme?

José Henrique Fonseca:  O produtor Rodrigo Teixeira que me apresentou o projeto, li um pouco o livro do Marcos, já conhecia o Heleno porque eu sempre fui fissurado em futebol e nas histórias dele. Assim que eu li, eu liguei pro Rodrigo (Santoro), não só porque ele é um excelente ator, um dos melhores atores do Brasil, mas porque ele caia perfeitamente no papel ele é muito parecido com o Heleno, aí eu disse: “Só faço o filme se você fizer”. Aí a gente marcou uma reunião e o filme saiu daí. Não tem um outro jogador de futebol no Brasil que tenha uma história tão interessante, nem o Garrincha, que também teve uma história trágica como o Heleno, mas o Heleno é mais complexo.

- Porque o filme é em Preto e Branco?

José Henrique Fonseca: Eu vou começar por um sonho meu de cineasta, eu sonho em fazer cinema desde os 12 anos de idade, e a minha formação são os filmes preto e branco, seja do Bergman, ou europeus, ou americanos, acho que isso é um fetiche de qualquer cineasta: fazer um filme P&B! Mas isso não tem nada haver com esse longa, essa história específica foi baseada nos anos 40, trazer o preto e branco é a fantasia. A cor é a realidade, uma coisa real e o preto e branco a fantasia. Então é isso, um jeito de trazer essa fantasia/história que a gente criou, o melhor veículo para isso é o preto e branco.

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- Como foi o processo de criação da personagem? (Pergunta feita para Alinne Morais)

Alinne Morais: Bom, a gente trabalhou com o Sergio Penna. Como o Zé (diretor) e o Rodrigo já estavam a muitos anos no processo do trabalho eu ouvi muito ambos. Eu me entreguei, tava ali disposta a tudo e até mesmo as coisas que acontecessem na hora, as surpresas e tudo mais, estava todo mundo 100%. Tivemos 2 meses de preparação e pesquisas, foi tempo suficiente para entrar nesse universo. Eu acho que a Silvia (sua personagem na trama) se apaixona num primeiro momento pelo Heleno e admira muito, acredita muito nos dois. É uma grande mulher, forte, bonita de se ver.

- O diretor fala sobre a personagem estrangeira da trama, Diamantina interpretado pela atriz colombiana Angie Cepeda.

José Henrique Fonseca : Na verdade era um personagem ficcional. No Copacabana Palace tinha umas temporadas em que vinham cantoras nacionais e às vezes de fora se apresentar, o Heleno namorou várias divas de rádios mas não namorou aquela específica, Diamantina.

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- Foi fácil fazer o filme?

José Henrique Fonseca: Foi difícil, um filme caro, um filme preto e branco. Foi difícil pra caramba, assim, especificamente entre nós aqui: o Rodrigo, o produtor, foi um investimento pessoal mesmo que a gente fez para o filme acontecer. Não é aparentemente um longa fácil para mercado, quer dizer, vai ser esse, a gente espera, a gente acredita.  Nós acreditamos que o cinema tem que ser plural, não adianta ter só comédia ou filme de ação, uma cinematografia para ser completa precisa de filmes como Heleno, a gente investiu e acreditou nisso. Fizemos um filme com uma qualidade incrível com uma equipe de ponta do mercado nacional, compra de músicas que vai de Billy Holiday até outros grandes nomes.

Rodrigo Santoro: E com a ajuda fundamental de Eike Batista, acho importante dizer isso.

- Na cena do armário, que cai em cima do personagem de Santoro, como foi filmado? Foi planejado o armário cair?

 Rodrigo Santoro: Foi um armário que a gente trouxe de Massachusetts (risos). Eu gosto de checar todo o cenário antes, eu vi tudo que era possível aonde eu poderia ir, o que eu poderia usar e eu não imaginava, nem planejava, que o armário ia cair. Não foi planejado, o armário não sabia o que ia acontecer (risos). Eu também tomei um susto quando o armário caiu, mas a gente está no calor da cena.

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Gols, cinturinhas e cadillacs. Você não pode perder essa história do homem que raramente tirava o cigarro da boca (geralmente cigarros duplos) que, mesmo assim, encontrava fôlego e levava multidões aos estádios. Dia 30 de março em muitas salas de cinema por todo o Brasil. Vamos prestigiar nosso cinema que está a cada dia mais interessante!

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