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Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança | Crítica

Publicado em 22/02/2012 / Por: Lucas Nascimento

Motoqueiro Fantasma - Espirito de Vinganca

Não dava pra se esperar tanto de Motoqueiro Fantasma – Espírito da Vingança. Após um fraco primeiro filme (em 2007, alguém lembra?), o esquentado justiceiro ganha uma segunda chance no filme de Mark Neveldine e Brian Taylor, trazendo uma trama absurda e sem sentido, enquanto Nicolas Cage entrega uma performance hilariante.

A trama desse novo filme não se prende necessariamente os eventos do filme anterior, assumindo vida e rumo próprios ao encontrar o amaldiçoado Johnny Blaze (Cage) se escondendo na Europa Ocidental enquanto tenta se livrar do fardo do Motoqueiro Fantasma. O problema vem ao seu encontro quando este precisa salvar um garoto de se transformar no anticristo.

De um filme para o outro, é impossível dizer que o Motoqueiro ficou melhor. Um dos personagens mais sombrios da Marvel (como é possível simpatizar-se com um demônio?), ele é novamente vítima de um péssimo roteiro que não parece compreender o universo que este habita e nem os motivos que definem o protagonista. Visualmente é um progresso: a caveira flamejante aqui é bem mais aceitável do que a (ridícula) do primeiro – assim como a forma como anti-herói usa seus poderes – mas ainda assim, é difícil levá-lo a sério quando Nicolas Cage é seu intérprete. Exageradíssimo, o ator provoca gargalhadas genuínas com seus constantes acessos de loucuras e caretas, transformando o filme em uma comédia não assumida.

A dupla Neveldine/Taylor empresta o estilo de direção agitado e inquieto de seus trabalhos anteriores (como Adrenalina e Gamer) para o personagem, e o resultado é bem divertido. As cenas de perseguição são bem mais empolgantes do que as de um Transformers a vida, isso porque os diretores mergulham fundo na estrada e nas rodas de seus veículos, que ficam bem no razoável 3D convertido do filme (nada acrescenta e nada tira). Além disso, os dois mostram-se criativos nas belas sequências de animação – que servem como ponte para os eventos do filme anterior – em um belo exercício de estilo, que também pode ser observado no ritual que visa libertar Blaze da maldição.

Mas é mesmo o péssimo roteiro de Scott M. Gimple e Seth Hoffman que desperdiça as (poucas) qualidades de Espírito de Vingança. É incoerente, absurdo e que faz pouquíssimo sentido, trazendo também alguns dos piores diálogos e frases de efeito do ano (“Road Kill”, sério mesmo?) e personagens muito mal trabalhados. Todo o ​plot​ em torno do garoto Danny e sua profecia simplesmente não convencem (mesmo Ciarán Handis se esforçando no retrato do maléfico Roarke), e o grupo de monges, que surge próximo ao desfecho, chega a ser ridículo (Vinhos e armas. Mas que monges danados!​”) e completamente descartável.

Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança é quase a melhor comédia do ano. A dupla de diretores faz o seu melhor para tentar dar pulso ao filme, mas nem eles falam mais alto do que o péssimo roteiro ou o espalhafatoso Nicolas Cage, que só por sua risadinha maléfica/insana torna a experiência estranhamente divertida.

Ghost Rider – Spirit of Vengeance | EUA | 2011

Diretor: Mark Neveldine e Brian Taylor

Roteiro: Scott M. Gimple e Seth Hoffman, com argumento de David S. Goyer. Baseado nos quadrinhos da Marvel.

Elenco: Nicolas Cage, Idris Elba, Ciarán Hinds, Violante Placido, Johnny Whitworth e Fergus Riordan.

Duração: 95 min

 

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Comentários
  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1510888267 Luiz Zamboni

    “a caveira flamejante aqui é bem mais aceitável do que a (ridícula) do primeiro” queria entender porque vc acha isso. Pois nota-se que a caveira no segundo está anatomicamente incorreta…modelaram a sombrancelha forçadamente como um “V” , muito legal em desenhos animados, mas num filme, é ridículo.A primeira foi mais correta e não tinha esses olhos apagados, que tira grande parte da expressão do personagem, até mesmo um dos seus poderes tem haver com o olhar, o olhar da penitência (que desepareceu neste filme)