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Oscar 2012 – Por que toda essa paixão por um filme mudo e em preto e branco?

Publicado em 21/02/2012 / Por: Reinaldo Glioche

O artista” é uma das sensações da atual temporada de premiações. O que torna o filme artigo raro, no entanto, são suas reminiscências. Em primeiro lugar, não é uma produção legitimamente americana. Ainda que tenha sido rodada nos Estados Unidos e tenha a trama centrada nos primórdios de Hollywood, o filme é uma produção francesa. Há patrocínio americano, e até alguns atores do país como John Goodman e Penelope Ann Miller, mas o sangue é francês. Não obstante, “O artista” é uma produção em preto e branco e com quase absoluta escassez de som. Um filme mudo sobre o advento do som no cinema. Mais do que ser uma apaixonada metalinguagem, a fita de Michel Hazanavicius ambiciona recuperar uma forma esquecida de se fazer cinema. O poder da narrativa é simples na essência e é isso que “O artista” advoga enquanto cinema. Mas o clamor da crítica, o público segue até certo ponto indiferente ao filme, não se deve a essa boa intenção.

Os prêmios que a fita indicada a dez Oscars têm recebido estão mais relacionados com o charme de se premiar um filme sobre os primórdios do cinema produzido como se ainda estivéssemos naquela época do que com sua qualidade. Outro ponto a favor de “O artista” é a produção bem abaixo da média ofertada em 2011 nos cinemas. Basta fazer um rápido exercício de memória para lembrar que a última produção não anglo-saxônica indicada ao Oscar de melhor filme foi “O tigre e o dragão” no ano 2000. Ano incrivelmente fraco que teve entre os concorrentes a melhor filme o “fofo” “Chocolate” e o “telefilme” “Erin Brockovich – uma mulher de talento”. Outra vantagem de “O artista” nessa interjeição é o fato de, além de ser mudo, contar com verbas americanas.

É muito fácil gostar de um filme como esse. Que te propõe um exercício de nostalgia. Portanto, mesmo que não se considere “O artista” o melhor filme do ano, não há como desgostar dele. Esse denominador comum, muitas vezes é suficiente para abrandar expectativas e eleger um vencedor do Oscar de melhor filme.

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