Salada de Cinema

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Salada de Cinema/Premiação

Oscar 2012 – As mágoas do Oscar

Publicado em 20/02/2012 / Por: victorgouvea

A premiação mais aguardada da indústria cinematográfica acontece em uma noite linda em Los Angeles: todos se encontram, comemoram mesmo sem ter ganhado nada e choram a valer quando saem com uma estatueta dourada na mão. Mas outro dia de lágrimas intermináveis deve ser quando sai a lista dos indicados ao Oscar.

Este ano, como não seria diferente – já que deixar de fora muita coisa boa é uma tradição tão forte quanto um apresentador engraçadão – muita gente deve ter recebido a lista de queixo caído. O primeiro e magnânimo deles foi Leonardo DiCaprio. O ator já se esmerou sob a batuta de Scorsese (outro que já sofreu incontáveis injustiças) e não deu certo, se rendeu a Christopher Nolan e não deu em nada, e até Steven Spielberg já o dirigiu, mas até agora não levou. Nem Clint Eastwood funcionou, já que J. Edgar desconstrói um mito americano – e não há nada pior do que tirar o doce daquelas crianças. Ele só pode ter o nome amarrado na boca de um sapo em uma encruzilhada de Hollywood.

As animações também surpreenderam. As Aventuras de Tintin, que levou o Globo de Ouro de Melhor Animação, e é assinado pela dupla imbatível de Oscars (Peter Jackson e Steven Spielberg), também não foi nem indicado. Assim como Rio, do brasileiro Carlos Saldanha, que merecia estar ao menos na lista.

Ryan Gosling vem conquistando um espaço significativo no cinema norte-americano, mas já pode começar a procurar o sapo do DiCaprio, porque seu nome deve estar junto. Não bastasse a relevância da produção dele nesta temporada – Tudo Pelo Poder e Drive, só para começar –, ele vem em uma crescente de atuação que não dá para deixar de reconhecer.

Quem assistiu Precisamos Falar Sobre o Kevin sabe que Tilda Swinton precisava estar lá naquela telinha dividida. Já Melissa McCarthy, que recebeu indicação de Melhor Atriz Coadjuvante por Missão Madrinha de Casamento não poderia estar lá. Aliás, este filmeco de segunda estar dentro de qualquer lista – nem que seja do supermercado – já é uma dantesca injustiça. E ele tem mais uma indicação, de Melhor Roteiro Original.

Em filmes estrangeiros, Almodóvar e seu belíssmo A Pele Que Habito não poderiam estar de fora – nem que fosse pra dar para A Separação, um grande filme que merece reconhecimento internacional, já que fazer cinema no Irã é mais difícil que achar petróleo.

E finalmente David Fincher, que dirigiu Millenium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres deveria substituir Alexander Payne, diretor de Os Descendentes. A direção do primeiro é tão superior à do segundo, que Fincher deve ter ficado com vontade de fazer um ataque terrorista no teatro. E se eu fosse ele, me juntaria com os outros renegados em um karaokê para assistir à cerimônia, e dar muita risada das outras injustiças que ainda vão acontecer no dia da premiação.




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