Junte crises de identidade, suspense, faroeste, comédia, metalinguagem, romance e um final feliz. Misture tudo e acrescente qualidade gráfica de primeira, trilha sonora excelente, um protagonista carismático, bons atores e uma participação especial imperdível. Todos os ingredientes necessários para fazer um filmaço.
Rango é um camaleão solitário, que vive em uma caixa de vidro na companhia de amigos inanimados (uma Barbie sem cabeça, um peixe de plástico e o coqueiro do cenário, prontamente transformado em personagem). Consciente de sua falta de identidade (“quem sou eu”, pergunta-se a todo momento), Rango diverte-se inventando situações e personagens para interpretar. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando um movimento brusco do carro de sua família joga-o no meio do deserto norte-americano.
Ele encontra a pequena cidade de Dirt, que sofre de uma seca terrível e precisa de um xerife-herói que os ajude a encontrar a tão desejada água. Louco por aventuras e por inventar boas historias, Rango logo aceita o papel – e também descobre que é preciso ir um pouco mais a fundo no assunto se ele quiser realmente resolver o mistério.
Com incríveis referências ao mundo do western de Sergio Leone, o primeiro longa dirigido por Gore Verbinski (e também o primeiro produzido pela Industrial Light & Magic, empresa de George Lucas) é uma das melhores animações dos últimos anos. Com um roteiro bem amarrado, Rango lida com temas ásperos como solidão, rejeição e morte de uma maneira sutil e bastante inteligente. Além, é claro, de uma produção gráfica impecável, na qual todos os personagens são únicos. Pegando emprestadas as características dos mocinhos e bandidos dos filmes de velho oeste, cada personagem é notável e tem sua marca.
Assim, é incompreensível porque Rango foi e está sendo tão subestimado pelo público e pela Academia. Pouquíssimo comentado, o longa provavelmente passará batido nas premiações do Oscar este ano, a não ser por sua própria categoria. Ainda que tenha um roteiro extremamente original e divertido, que agrade a crianças e adultos – e, portanto, um candidato perfeito à premiação – a impressão que se tem é que, desta vez, Verbinski será esquecido.