Alguns tabus sociais, como as enfermidades mentais, sofrem de grande estigmatização no cinema. Ignorância, medo, repulsa são razões comuns que levam certos temas a serem tratados com falta de tato e de coragem, mesmo quando é boa a intenção.
Exemplos diferentes podem ser encontrados no cinema australiano de curta-metragem, que costuma tratar com carinho mas também com grande curiosidade de espírito a esses personagens que muitas vezes tornam-se outsiders por sua condição. É o caso de Yolk, de Stephen Lance.
Yolk acompanha um pequeno momento da vida de Lena, uma jovem com síndrome de Down. Lena, em sua adolescência latente, é fascinada pelo tema da sexualidade, da fertilidade e do desejo, e enfrenta a resistência natural do mundo ao seu redor, desconfortável e desorientado diante dos seus impulsos.
Talvez um pouco condescendente, mas ainda assim belo e franco, o filme de Lance resvala em pequenas feridas, extraindo a delicadeza natural de uma menina que, independentemente de sua síndrome, sente o corpo acordar como qualquer outra menina.
Yolk from Taxi Film Production on Vimeo.