Salada de Cinema

Publicidade
Salada de Cinema/Coluna

Xingu – Cantar a própria terra

Publicado em 14/02/2012 / Por: Ricardo F. Santos

xingu_filmstill3_felipecamargo_caioblat_joaomiguel_by_beatrizlefevre

Em meio àquelas eternas promessas não cumpridas de ficar mais atento ao cinema mundial, descobri tardiamente que o Festival de Cinema de Berlim começou na última sexta-feira. Ao lado de Cannes, na França, e de Veneza, na Itália, a Berlinale compõe o panteão dos eventos europeus de cinema. E a seção Panorama, uma mostra paralela à oficial com não menos prestígio, exibe dois filmes brasileiros, um documentário, Olhe pra mim de novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, e um longa-metragem, Xingu, de Cao Hamburguer.

Além do próprio festival, o projeto do filme Xingu me foi também uma bela descoberta. Voltar cinco décadas na história do país e narrar o esforço dos irmãos Villas-Boas para criar o Parque Nacional do Xingu e garantir aos indígenas o direito a alguma terra é uma iniciativa louvável. A aventura de se embrenhar no mato desconhecido para encontrar índios, a relação dos três irmãos entre si e a pressão dos interesses políticos e econômicos por trás da criação do Parque são ingredientes infalíveis para uma boa história.

O projeto é grandioso, não menos do que a estrutura por trás dele: Globo Filmes, O2 Filmes e Sony Pictures, para citar apenas três nomes. Os protagonistas são interpretados por três bons atores: João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat são, respectivamente, Claudio, Orlando e Leonardo Villas-Boas. O crítico de cinema do Estadão, Luiz Carlos Merten, que assistiu ao filme em Berlim, elogiou a atuação e a história. “É um filme bom, sólido, bem feito, muito bem interpretado”, disse ele.

A première mundial de Xingu foi em 3 de novembro do ano passado, no Amazonas Film Festival. O local foi estratégico para falar do conflituoso contato entre os índios e o homem branco. “(No) coração da Amazônia, num festival que ganha prestígio a cada ano, num momento em que se questiona os mega-projetos para o desenvolvimento da Amazônia e as desastrosas mudanças do Código Florestal”, disse na época o diretor da O2, Fernando Meirelles. “O filme fala sobre esses mesmos erros cometidos há 50 anos. Sim, o Parque do Xingu comemora 50 anos em 2011. Tudo se encaixa.”

Algum tempo atrás comentei de uma iniciativa parecida do diretor Heitor Dhalia, que trabalhava em um longa-metragem para contar a história de Serra Pelada. Não dá pra dizer que é um movimento, mas é interessante ver esses dois exemplos de jovens e talentosos diretores querendo contar no cinema episódios da história do país. Além de ter belas produções na prateleira nacional, os filmes vão colaborar para pensarmos mais sobre nosso passado e como ele ainda se reflete no presente.

Diz o site oficial (http://www.xinguofilme.com.br/) que o filme estreia nos cinemas brasileiros em 6 de abril. Para criar uma vontade maior de assisti-lo, mais um comentário elogioso do Luiz Carlos Merten após vê-lo na Berlinale. “(Mostra) como o esforço deles, mesmo que bem sucedido, carrega um pouco de fracasso. É um filme de uma tristeza, mas de uma beleza que me comoveu muito.”

Na semana que vem, falo mais do Cao Hamburguer.




Compartilhe
Comentários