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Salada de Cinema/Premiação

Oscar 2012 – Por que a Arvore da Vida não vai levar melhor filme?

Publicado em 14/02/2012 / Por: Maira Giosa

Definir A Árvore da Vida é bastante fácil: ou se ama ou se odeia. Não há meios termos. Não há como dizer que se gostou “mais ou menos”. Visceral, profundo e de um tema bastante complicado – ainda que com uma proposta simples –, o último filme de Terrence Malick dividiu opiniões mundo afora, e não só do público. Alguns críticos acusaram o diretor de tratar do tema de maneira juvenil, opinião que comparte grande parcela das pessoas.

Não julgo e nem condeno quem não tenha gostado. Ainda assim, como disse, algumas das pessoas mais inteligentes que conheço e que mais levo em consideração quando se trata de cinema não gostaram. Admito que esse tipo de filme é essencialmente sensorial e que inclui não só repertório prévio emocional para apreciá-lo, como também uma dose de insanidade para embarcar na loucura de Malick, e ainda maior para tentar compreendê-lo. O longa é, afinal, uma simples questão de identificação e encontrar-se nas muitas referências pessoais que o diretor imprime. E não tentar fazê-lo é pura preguiça.

Pessoalmente, considero A Árvore da Vida o melhor filme do ano passado – Melancolia também é excelente, mas o primeiro me tocou muito mais profundamente. Justamente porque esta era a intenção. E é exatamente por isso que o longa não será o grande vencedor do Oscar 2012. Duvido muito que a parcial Academia escolha como melhor filme um que a maioria não entendeu (ou não fez questão de entender) e, pior ainda, um filme que trata de temas intrínsecos à existência humana. Sabemos todos que este não é o tema preferido dos juízes velhotes.

É lamentável, obviamente, que uma obra-prima como esta seja excluída da lista logo de cara por sua iconoclastia sem alardes. Não vale dizer que é um apanhado de imagens da National Geographics. Essa é a comparação mais despropositada que há. Conhecendo sua filmografia, Mallick não colocaria imagens aleatórias em uma sequência a bel prazer: as coisas têm seus propósitos.

E, mais uma vez, é justamente por isso que Mallick e seu longa mais impressionante ficarão de fora do rol dos “queridinhos”. Hollywood não costuma premiar aquilo que ela não entende ou não consegue comercializar.




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