Olá Nerds!
Essa semana vamos explorar a passagem da grande obra de fantasia fantástica do filologista e professor inglês John Ronald Reuel Tolkien. Escrito de 1937 a 1949, durante o período de guerra e principalmente durante intensa produção acadêmica de Tolkien o livro surgiu como sugestão dos editores de “O Hobbit”, lançado em 1937 e sucesso do público infanto-juvenil, que gostariam de mais estórias dentro daquele universo fantástico.
Assim surgiu “O Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion”, obras de que deveriam ser lançadas juntas em um grande tomo. Por decisões editoriais, o grande livro principal foi divido em 3 volumes e hoje vamos falar da adaptação do primeiro deles: A Sociedade do Anel.
Composto por dois livros (sim, a obra é realmente grande) “A Partida do Anel” e “O Anel Vai Para o Sul”, foi lançado em 1954. Em 1968, o próprio Tolkien vendeu os direitos de filmagem, mas dada a grandiosidade e dificuldade de adaptação, apenas em 1997 o jovem porém experiente diretor Peter Jackson, ao lado de suas sócias Fran Walsh (esposa de Jackson) e Phillippa Boyens, começou a imaginar a Terra-Média e todo o mundo fantástico que envolve a estória, lançando ai O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001).
O preciosismo com a qualidade da adaptação foi tanta que Jackson convidou John Howe e Alan Lee, os dois maiores ilustradores do universo Tolkeriano pra ajudar na produção do imaginário do filme. Lee ajudou nos designs de Valfenda, Isengard, Moria e Lothlórien, os principais salões e locais deste primeiro filme. Howe por outro lado, estudou toda sua vida na construção e desenho de armaduras, dando vida as incríveis proteções corporais e armas do filme.
Parte deste trabalho fantástico pode ser visto no prólogo, na Batalha da Última Aliança: cada elfo possui uma armadura extremamente detalhada, assim como os humanos e o grande antagonista Sauron. As armas também são um deleite para os fãs da saga, ou apenas apreciadores de artefatos de guerra. A lança de Gil-Galad e a espada de Idril, usada por Elrond (Hugo Weaving) nessa cena e por Arwen (Liv Tyler) ao confrontar os Nazgûl, são algumas das armas fantásticas trazidas pelas mente criativa dos artistas do filme.
O prólogo aliás, com a bela narração de Galadriel (Cate Blanchett) contando o início do confronto pelos Anéis do Poder, foi o grande desafio para o software MASSIVE da WETA Digital. Com a capacidade de animar independentemente cada soldado, foi possível criar exércitos gigantescos em que cada indivíduo podia reagir e atacar de maneira diferente, dando mais veracidade ao combate. Os produtores do programa dizem que em um dos primeiros testes de todo um grupamento élfico fugiu em disparada, correndo para longe da batalha, devido a um pequeno erro de programação.
No filme várias raças são apresentadas, mas um destaque maior é dado aos Hobbits. Seres pequenos, de pés peludos e sempre prontos para uma boa refeição foram um desafio desde o início. 18.000 próteses de pés foram criadas para os 4 hobbits principais e os coadjuvantes, bem como alguns atores usaram enchimento em suas roupas para poderem criar uma aparência mais rechonchuda. Bem menores que os humanos e até mesmo os anões tolkerianos, a produção teve que ser usar truques antigos do cinema para demonstrar isso em tela. Perspectiva forçada, com uso de polias e cenários móveis, bem como alguns cenários construídos em diversas escalas, fez com que a ilusão de dois seres de tamanhos diferentes estavam ali, no mesmo lugar.
Tanto material foi produzido para este primeiro filme, que seu primeiro corte na edição teve o tempo de 4 horas e meia. Com os cortes feitos para a versão final do filme, aquela levada em primeira mão ao cinema, ficou com o tempo total de 2h58min. Sua versão extendida, lançada nos cinemas internacionais alguns anos após o final da saga e em DVD especiais, chegou a tela com quase 20 minutos a mais de cenas adicionais.
Os produtores tiveram tanto cuidado em recriar o universo de Tolkien que linguístas famosos por estudos nas línguas criadas pelo escritor foram chamados como consultores para instruir os atores nas formas de falar de elfos e anões. O preciosismo foi tanto que as duas formas faladas de élfico são apresentadas nas falas: o Quenya, mais culto e puro, e o mais ‘popular’ e resultante de misturas Sindarin.
Para aqueles que se encantaram com o élfico falado durante o filme: quando Arwen chega ao rio que serve de fronteira para Valfenda, ela entoa um encanto para que o rio a ajude a afastar os Espectros do Anel – Nîn o Chithaeglir lasto beth daer; rimmo nín Bruinen dan in Ulaer, que traduz-se mais ou menos como “Águas das Montanhas Cinzentas, ouças as palavras de poder; corram águas do Bruinen, contra os Espectros do Anel”. Pratiquem ;)
Uma última curiosidade para os não-fãs ou quem não leu a obra de Tolkien é que os minutos finais do filme foram tirados, na verdade, do início do conto do livro 2, “As Duas Torres”. O original termina logo após a fuga de Frodo e o destino de Boromir, sendo que a captura de Merry e Pippin e os Três Caçadores seguindo sua trilha após o funeral do amigo falecido vêm logo ao primeiro capítulo do próximo livro.
Semana que vem, vamos ver como a missão de levar o Um Anel à Montanha da Perdição começa a virar uma batalha pelo futuro da Humanidade e da Terra-Média.