Ainda sem data de estreia, Mãe e Filha é dirigido pelo cineasta cearense Petrus Cariry e revela um trabalho inquietante nesse seu segundo longa-metragem. Depois de uma longa separação, mãe e filha se encontram no Sertão, entre ruínas e lembranças. O destino da filha nega o sonho da mãe. O passado é um círculo que aprisiona os vivos e os mortos. A filha quer romper, mas as sombras espreitam.
Pelo trailer, o espectador percebe não se tratar de um filme convencional. Cenas longas, bela fotografia e o tempo parece ganhar outra dimensão. Para entender um pouco mais desse novo projeto, o Salada de Cinema entrevistou Petrus Cariry que conta mais detalhes de Mãe e Filha. Acompanhe:
Salada de Cinema - Mãe e Filha é seu primeiro longa? Soube que você tinha dirigido curtas-metragens. O que muda e qual é o maior desafio de migrar para este novo patamar?
Petrus Cariry - “Mãe e Filha” é o meu segundo longa-metragem, a minha primeira experiência com um longa foi “O Grão”, que foi um filme que circulou bastante em festivais e ganhou mais de 30 prêmios. Eu adoro o formato curta-metragem não pretendo abandonar este formato tão cedo. Eu sempre procurei experimentar linguagem no formato curta, então quando eu comecei a fazer longas eu continuei experimentando sem nenhum medo.
Salada de Cinema – Pelo trailer de Mãe e Filha e parece ser bem introspectivo: poucas falas, belas imagens. Seria este seu estilo de dirigir ou o projeto pediu isso?
Petrus Cariry - “Mãe e Filha” é um drama fantástico bastante denso. Eu não sei responder com certeza, mas o meu estilo de cinematográfico está começando a se definir. Narrativa rarefeita, dilatação do tempo, grande rigor formal, são algumas das características dos filmes que venho fazendo, os meus filmes sempre tem essas características, pelo menos por enquanto.
Salada de Cinema – Como chegou na escolha do elenco? As atrizes principais parecem estar muito bem…
Petrus Cariry - A Zezita Matos é um atriz maravilhosa e era a única pessoa que poderia interpretar a Laura (a mãe), eu não pensei em mais nínguem para esse papel. A Juliana Carvalho que interpreta a Fátima (a filha) é uma atriz que quando é bem dirigida, simplesmente arrasa na tela. Fiquei muito satisfeito com o desempenho da minhas atrizes.
Salada de Cinema – À primeira vista, Mãe e Filha parece fugir do convencional. Teme perder público no cinema por causa disso?
Petrus Cariry - Sinceramente eu não tenho medo disso, acho que existe público para o tipo de cinema que eu faço. As pessoas deviam se dar uma chance e sair do modo automático de ver cinema, vários espectadores que viram “Mãe e Filha” falaram que viveram uma experiencia sensorial bem intensa, é isso que me deixa feliz.
Salada de Cinema – Qual a mensagem que você quis passar aos telespectadores do filme?
Petrus Cariry - Não existe nenhuma mensagem específica, o filme é bem aberto a interpretações. Acho que cada espectador deve encontrar a sua mensagem.