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Cinema Nerd | As Aventuras de Tintim

Publicado em 03/02/2012 / Por: Igor AppolinArio

As Aventuras de Tintim

Olá Nerds!

Hoje o Salada de Cinema, na sua querida coluna Cinema Nerd vai falar do fenômeno mundial que saiu direto das nossas infâncias e invadiu os cinemas: As Aventuras de Tintim (2011).

Criado pelo cartunista belga Georges Remi (que criou seu nome artístico pelas iniciais do seu nome invertidas: Hergé) em 1929, “Tintin” o jovem repórter investigativo logo tornou-se um sucesso nos jornais belgas, ganhando até uma revista apenas para suas aventuras.

Sempre envolvido em casos misteriosos, conflitos internacionais e com bandidos perigosos, Tintim sempre é acompanhado pelo seu White Fox Terrier Milou e em sua primeira aventura já conhece seu parceiro de aventuras Capitão Archibald Haddock. Presença constante e alívio cômico da maioria das situações são também os detetives da Interpol Dupond e Dupont, idênticos em todas as maneiras, e extremamente atrapalhados.

Sucesso de público no meio impresso, Tintim teve suas aventuras transformadas em animação para a TV em pelo menos duas oportunidades: em 1958 pela produtora Belvision e, a mais famosa e conhecida pelos brasileiros, em 1991 pela Ellipse/Nelvana. De 1947 a 1972, algumas das estórias do jovem repórter chegaram ao cinema ou diretamente à televisão em filmes live-action.

Detentor dos direitos de produção do filme desde 1983 (ano da morte de Hergé), Steven Spielberg tornou-se fã de Hergé e sua obra logo após o lançamento de Os Caçadores da Arca Perdida (1981). Hergé ficou maravilhado como o filme transpôs as mesmas idéias de aventura que o cartunista imaginava em seus livros ilustrados. O cartunista chegou a afirmar que Spielberg seria o único capaz de levar suas estórias ao cinema. Spielberg afirma não ter conhecido Tintim até 1981, mas que prontificou sua secretária a comprar os álbuns do personagem e logo se encantou.

Decidido a fazer uma nova interpretação da estória, Spielberg ficou anos em produção, empacado com os meios de transposição do estilo suave do desenho de Hergé para a telona. Após o suceso da trilogia O Senhor dos Anéis (2001-2003), Spielberg ficou fascinado com as criaturas criadas por Peter Jackson e sua WETA Digital. Com Jackson como co-produtor, Spielberg, adepto da cinematografia clássica com câmeras tradicionais, pensou em um filme em live-action com Milou feito completamente em CGI. Jackson, também encantado pelo traço de Hergé convenceu Spielberg a fazer um filme completamente em animação, a fim de honrar o material original.

Assim, complemente filmado em formato digital 3D, com captura de movimentos dos personagens principais e o cãozinho Milou feito em CGI, Spielberg e Jackson trouxeram o mundo de Hergé para a telona. Incorporando elementos de três aventuras de Tintim (O Caragueijo das Tenazes de Ouro, O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível), o filme elabora um dos mais fantásticos e interessantes mistérios dos livros: o paradeiro do tesouro de Sir Francis Haddock, antepassado do Capitão Haddock, grande capitão do navio de batalha “O Unicórnio” (fato interessante: talvez por uma má tradução do título original – Le secret de la Licorne – na década de 1990, o navio é mencionado tanto como “Unicórnio” e “Licórnio/Licorne”), afundado pelo pirata Rackham, o Terrível nas águas do Caribe.

Primeira animação dirigida por Steven Spielberg em todos os seus anos de carreira, é também sua primeira adaptação de um personagem dos quadrinhos para o cinema. Jackson trouxe para o barco a experiência em atuar com captura de movimentos do ator Andy Serkis, responsável pela interpretação do hilário e honrado Capitão Haddock. Jamie Bell, jovem ator que já colaborou com ambos diretores, ficou com a responsabilidade de interpretar Tintim, o que fez de forma convicente.

Repleto de referências às aventuras impressas, o filme consegue capturar ao mesmo tempo um senso “de época” e “atemporal”, que fará da película um daqueles clássicos que resistem ao tempo. Em uma das cenas, podemos ver nas paredes do apartamento de Tintim jornais relatando suas aventuras passadas, algumas delas referentes à clássicos dos quadrinhos como Os Cigarros do Faraó e O Cetro de Otokkar.

Talvez um dos grandes méritos de As Aventura de Tintim seja traduzir tão bem para as telas a personalidade dos personagens principais e o clima de mistério e aventura das estórias originais, que sobreviveram ao tempo exatamente pelo seu potencial em prender o leitor.

Duas pequenas curiosidades: na cena introdutória, logo após os créditos, o pintor que faz a ilustração de Tintim foi feito à semelhança de Hergé. Isso prolonga uma característica do próprio autor, que colocava familiares e conhecidos em seus livros ilustrados. Assim que Tintim recebe seu ‘retrato’, podemos ver atrás dele diversas outras caricaturas com rostos de personagens que permeiam as outras histórias do jornalista nos quadrinhos. Outra é que o lançamento internacional de As Aventuras de Tintim foi programada para o mesmo dia da comemoração do aniversário de 30 anos de Caçadores da Arca Perdida.

Podemos dizer que a nova empreitada de Spielberg e Jackson foi muito bem sucedida e, se o sucesso da bilheteria agradar os distribuidores da Columbia e Paramount Pictures, já podemos esperar por uma continuação em breve, desta fez dirigida por Jackson com produção de Spielberg, continuando os acontecimentos da muito bem conduzida primeira aventura. Ficamos no aguardo!

 

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