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Cinema Nerd #6

por Igor Appolinario comentários

Tron-Legacy-lightcycle

Olá nerds do Salada de Cinema! 28 anos se passaram desde nosso último encontro!

TRON: O Legado (2010) foi uma agradável surpresa a todos os que eram fãs do incrível, porém comercialmente fracassado, TRON – Uma Odisséia Eletrônica (1982). Pegos de surpresa na Comi-Con de 2008 quando a Disney liberou um teaser com o pretexto de mostrar um conceito de efeitos especiais, com as lightcycles atualizadas e conceitos do visual de Jeff Bridges, que não apenas estaria de volta nessa continuação, como faria 2 personagens! Na época, o teaser dava como nome da sequência “TR2N”.

Assim, um culto se formou na internet e em encontros de ficção científica. O TRON original de 1982 voltou a ser comentado em redes sociais (uma nova arma de disseminação de material nerd do qual ele não gozava nos anos 80), e aqueles que conseguiram encontrar uma cópia do filme se encantaram com um conto cibernético a tempos esquecido. O hype foi tão grande, que a Disney, que até aquele momento da Comic-Con de 2008 ainda estava deliberando uma produção considerada “arriscada”, deu sinal verde para o projeto.

O diretor (Joseph Kosinski, em seu primeiro trabalho como diretor profissional) foi escolhido a dedo por Steven Lisberger, diretor e escritor do filme original, para dar um toque moderno e rejuvenescido ao universo do filme. Confiado um orçamento de U$170 milhões (maior quantia confiada a um diretor estreante), Kosinski não poupou esforços em atualizar o visual de TRON: O Legado, mas ainda mantendo conceitos do original. Uma prova disso é que só o figurino do filme custou em torno de U$ 13 milhões, mais de 20% do orçamento total.

Um curiosidade sobre os figurinos: sendo um filme de visual futurista e tentando manter a estética das faixas iluminadas criada no filme original, as roupas desta sequência possuiam pequenas baterias acopladas que energizavam as faixas. Porém sua pouca potência pedia que elas fossem ligadas e desligadas a cada tomada, pois queimavam rápido, e a fragilidade dos conectores fazia com que os atores não pudessem se sentar quando trajados, eles apenas se reclinavam sobre tábuas inclinadas entre as tomadas.

Talvez o conflito central de TRON: O Legado seja aquele sobre Criador vs. Criatura. Podemos ver isso no relacionamento quebrado entre Flynn e seu filho Sam (Garrett Hedlund), agora um homem feito e avesso às responsabilidades que seu pai lhe deixou como agora dono da ENCOM, e do próprio Flynn e sua cria literal, CLU 2.0, um programa a sua imagem e semelhança desenhado para criar o “mundo ideal” dentro da Grade.

O tom principal é o de “passagem de geração”, onde o novo e o velho, sejam pessoas, ideais, crenças, são colocados à prova e em conflito. Sam, assim como seu pai no primeiro filme, é jogado dentro de um mundo desconhecido e obrigado a sobreviver aos desmandos de um tirano até então desconhecido. Atrás de sua herança intelectual, o jovem descobre que Flynn vive, e é aquele que ele precisa buscar por respostas, principalmente em como deixar o mundo do computador.

Junto a ele, como uma espécie de guia e ao mesmo tempo uma alma jovem e curiosa sobre o mundo de onde Sam veio, Quorra (Olivia Wilde, sempre estonteante) é um programa de computador adotado pelo velho Flynn. Gem (a bela Beau Garrett) e Castor (Michael Sheen, fã ávido do filme original), são alguns dos personagens que Sam precisa se aliar a fim de sair daquele estranho mundo. Sheen, fã declarado do original, teve que enganar a Disney para conseguir seu papel. O agente do ator fez com que ele escondesse seu entusiasmo em participar para que seu cachê fosse maior do que o oferecido, pois sendo fã aceitaria qualquer valor para interpretar o amalucado dono do clube “End of Line”. Aliás, muitos compararam a atuação de Sheen com outro célebre desordeiro do cinema: o Coringa de Heath Ledger. Sheen nega que tenha tirado daí sua inspiração, nominando o excêntrico personagem de David Bowie, Ziggy Stardust, como inspiração principal, com pitadas da diva Mae West.

É impossível falar muito da trama principal e desenvolvimento dos personagens sem muitos spoilers, mas TRON: O Legado com certeza é um filme que deve ser visto pelos fãs do original e fãs de ficção científica em geral. Pra quem é aficcionado por efeitos especiais, o rejuvenescimento aplicado à Jeff Bridges para que tivessemos em cena Flynn com seus 60 e poucos anos e CLU a imagem e semelhança de Bridges no filme original é incrível. Muito mais avançado do que a técnica vista em X-Men: O Confronto Final (2008), onde vemos Xavier e Magneto 20 anos mais jovens, temos dois personagens completamente distintos, interpretados pelo mesmo ator.

TRON: O Legado, não foi um sucesso estrondoso de bilheteria, porém conseguiu fazer com que a Disney o acolhesse como uma nova franquia a ser explorada. Com dois recentes jogos de videogame lançados pós-filme, ainda teremos em breve TRON: Uprising, uma animação que explorará o tempo entre os dois filmes da franquia sairá para a televisão, supervisionada por Lisberger. E uma continuação para a sequência já está sendo pensada e roterizada, possivelmente para daqui alguns anos. Torcemos para que a chama de TRON não se apague tão cedo!

Igor Appolinario
Igor Appolinario

Nerd inveterado, ainda procura a Pergunta para a Vida, o Universo e Tudo Mais. Escreve sobre Cinema Nerd, pra divertir e informar o pessoal interessando em sempre quer saber um pouco mais.

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Comentários
  • http://www.facebook.com/rodrigo.cabral.silva Rodrigo Cabral

    Vale acrescentar que para os mais fervorosos, na versão em Blu Ray e DVD vale muito a pena assistir os extras pois eles mostram alguns movimentos que ocorreram na sociedade entre o primeiro e o segundo filme.
    Só que eu não vou fazer nenhum spoil… carram até a locadora e assistam!