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A Separação | Crítica

Publicado em 26/01/2012 / Por: cassiaalves

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Problemas universais vividos dentro da atmosfera de um país fortemente ligado às tradições sociais e religiosas. Este é o universo no qual somos imersos em A Separação. O longa iraniano foi premiado em diversos festivais por sua abordagem humana à trama que é plausível em qualquer sociedade. Revela as particularidades do país, suas crenças e julgamentos, mas que podem ser os mesmos de qualquer outro lugar do mundo.

Temos um casal que se separa por interesse de conflitos: um homem, Nader (Peyman Moadi), sujeito a ficar sozinho para cuidar do pai com Alzheimer e da filha Termeh (Sarina Farhadi), que decide ficar com ele. A esposa Simin (Leila Hatami) deseja sair do país, mas não consegue ficar longe da filha. Para conseguir dar conta de tudo, Nader contrata uma cuidadora, a religiosa Razieh (Sareh Bayat).

Dentre as tarefas, Razieh se depara com o fato de ter de executar tarefas um tanto quanto adversas a suas crenças, o que a faz recorrer ao marido, que por conflitos financeiros, não consegue cumprir com as tarefas de cuidador, e a esposa se resigna ao trabalho. Após um descuido com o idoso, que acaba fugindo, Razieh se desentende com Nader e se inicia uma série de acontecimentos judiciais em cadeia.

Os conflitos traz particularidades humanas a debates universais, a maior beleza do filme. É necessário nos despirmos de nossos rótulos ocidentais para entender a complexidade de uma história onde a mulher luta contra suas crenças e entra na casa de um recém-divorciado para cuidar de outro homem, mesmo que idoso. O conflito é visível quando após dar banho no pai de Nader, ela fala com o que julgamos ser seus líderes religiosos com dúvidas se isso seria pecado.

As referências a Kafka nas cenas do julgamento são inevitáveis e também dão brilho ao longa. O processo é lento, justo para alguns em momentos específicos e destruidor para todos. Vê-se a falência da verdade e a delicadeza das relações diante das mentiras. O que podemos julgar que seria resolvido com um simples pedido de desculpas verbal fica implícito em algumas ações quee ainda sim não são suficientes para desencadear em um final feliz. Um filme forte, duro e como a vida é, em qualquer lugar do mundo.

Diretor: Asghar Farhadi (2011) – Irã
Roteirista: Asghar Farhadi
Elenco: Peyman Moadi, Leila Hatami,Sarina Farhadi, Ali-Asghar Shalbazi, Sareh Bayat, Shahab Hosseini, Kimia Hosseini
Duração: 123 min.

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