Salada de Cinema

Notícias, entrevistas, perfis e muito mais de tudo que acontece no mundo do cinema.

Salada de Cinema
Colunas

Cinema Nerd #5

por Igor Appolinario comentários

TRON - Uma odisséia eletrônica

Olá nerds do Salada de Cinema!

Hoje na sua amada coluna Cinema Nerd vamos falar de uma das mais cultuadas ‘séries’ de filmes do gênero “nerd”: TRON!

TRON – Uma Odisséia Eletrônica (1982) foi lançado como um experimento dos estúdios Walt Disney, especialistas em animação tradicional desde o fenônemo Branca de Neve e os Sete Anões (1937), em unir animação feita a mão e técnicas modernas (à época) de animação por computador.

Contando a estória de Kevin Flynn (Jeff Bridges), um brilhante programador que vê seu jogo de videogame “Space Paranoids”, um sucesso de público, ser roubado pelo executivo Edward Dilliger (David Warner) da poderosa ENCOM. Flynn, junto ao colegas Alan Bradley (Bruce Boxleitner) e Lora (Cindy Morgan) tenta invadir a ENCOM e recuperar seu precioso software.

Com um enredo simples a princípio, a trama tem seu ponto de virada quando Flynn é atingido por um “raio digitalizador” que o transporta para dentro do mainframe da ENCOM, controlado pelo sinistro MCP (Master Control Program, interpretado também por David Warner). A grande sacada do filme fica por conta dessa conexão entre programa e criador, onde o ator que vive o personagem no mundo real, também interpreta o equivalente de seu programa: Bridges aparece logo no começo como CLU, seu programa inflitrado, enquanto Bruce Boxleitner é Tron, o programa de segurança criado por Alan e Cindy Morgan é Yori, o programa de Lora.

Em um mundo geométrico, luminoso e com aspecto sintético onde Flynn se vê preso pelos programas controlados pelo MCP e obrigado a entrar nos jogos desenhados para entreter e eliminar programas indesejados. Personificados, os programas se dividem na crença dos “Usuários”, serem superiores que criaram cada um deles e que ditam seu destino de outro plano. Tentando obter controle total daquele mundo, o MCP obriga os programas ‘crentes’ a se digladiarem em jogos brutais que levam a ‘de-resolução’ do perdedor. Assim, Flynn se vê em meio a esse confronto, forçado a participar dos jogos e entrando em disputas com conceitos fantásticos.

Dois exemplos de “jogos” promovidos pelo MCP são um tipo de “pelota basca” onde o adversário tenta acertar o oponente ou o chão sob ele (que revela um abismo infinito) com uma bola de energia lançada de um bastão adaptado no braço, e a famosa corrida delightcycles (motos digitais que deixam um rastro energético por onde passam, bloqueando o caminho do inimigo).

Flynn e seus parceiros começam a subverter esse mundo que é dominado pela lógica e controle e as repercurssões disso no ‘mundo real’ mostram uma trama bem construída, apesar de um ‘filme Disney’.

Como um grande passo além do que o estúdio era especializado, TRON foi todo produzido de modo quase experimental. O mundo digital de TRON é o grande espetáculo deste filme. Sensacional para a época, apenas não foi indicado para o Academy Award de Efeitos Especiais daquele ano por que a Acadêmia acreditava que o uso de computadores é uma “trapaça”. Filmado em preto e branco e colorizado em computador, utilizou-se técnicas de rotoscopia e câmeras fixas para poder integrar aquilo que foi filmado com a produção computadorizada.

A animação computadorizada à época estava em um estágio tão inicial que os artistas gráficos eram capazes de criar um ambiente digital e um veículo perfeitos, porém estáticos, sendo que para criar a ilusão de movimento era necessário recriar a cena com o mesmo veículo e cenário com posição levemente alterada, quadro-a-quadro, até formar uma cena completa. Ou seja, milhares de imagens digitais eram criadas e gravadas em sequência ultraveloz para cena de alguns minutos, tal qual a animação feita a mão de então.

Duas curiosidades sobre Jeff Bridges: para incentivar o gosto dos atores por arcades e jogos eletrônicos, um dos temas principais do filme, os produtores deixaram diversos arcades no estúdio.  Problema era fazer Jeff Bridges largar as máquinas para filmar suas cenas! E outra, no mundo virtual os personagens usam roupas colantes para um visual mais futurista, mas foi preciso usar um acessório de balé em Bridges para que a roupa não ficasse tão marcada… na região da virilha.

TRON – Uma Odisséia Eletrônica, infelizmente, não fez muito sucesso nos cinemas. Assim como seu contemporâneo The Black Hole (1979), foi um experimento da Walt Disney Studios em animação computadorizada que após o fracasso destes projetos levou décadas para lançar outro filme com atores reais. TRON tornou-se um cult nos meados dos anos 80, influenciando uma geração de crianças a se interessarem pelo mundo da eletrônica, computação e até mesmo da produção de videogames.

Porém, dado o trauma causado pelo fracasso de bilheteria ao estúdio, quase 3 décadas se passaram até que a Disney pensasse em ressuscitar essa estória, como veremos na semana que vem.

Igor Appolinario
Igor Appolinario

Nerd inveterado, ainda procura a Pergunta para a Vida, o Universo e Tudo Mais. Escreve sobre Cinema Nerd, pra divertir e informar o pessoal interessando em sempre quer saber um pouco mais.

Veja todos os posts de Igor Appolinario
Comentários