Olá nerds do Salada de Cinema! Vamos continuar nosso papo sobre adaptações de quadrinhos para o cinema?
A prática Hollywoodiana de procurar outras mídias para criar grandes sucessos nas telonas não é uma novidade e apesar de muita gente acreditar que começou com X-Men (2000), vimos semana passada que desde a década de 70 a 7ª Arte vem lucrando com os egressos da 9ª.
Após o período negro em que os personagens dos quadrinhos ficaram esquecidos para as produtoras de cinema (Não injustamente, tendo em vista as catástrofes cometidas no final dos anos 90), a partir dos anos 2000 eles voltaram com tudo!
Justamente X-Men (2000), com a direção do excelente Bryan Singer (Os Suspeitos – 1995), foi o messias da nova leva de quadrinhos no cinema em Hollywood. Com um conto simples de terrorismo e luta pela igualdade entre raças (mutantes x homo sapiens) e capricho nos efeitos especiais e caracterização dos personagens principais, o filme conquistou público e crítica. Sua sequência X2 (2003) seja talvez uma das obras-primas do subgênero de filme de ação com heróis, com excelentes atuações e estória bem construída. Porém nem tudo foram flores para a franquia que viu seu terceiro longa, X-Men: O Confronto Final (2006) passar por problemas na produção, com a troca do diretor Bryan Singer pelo explosivo Brett Ratner, e foi duramente criticado pelo resultado final, apesar de suas cenas de efeitos visuais fantásticos. Ainda sim, dada a popularidade dos personagens junto ao público que ansiava por mais aventuras dos mutantes na telona, vimos a estreia de X-Men Origins: Wolverine (2009), que recontou a origem de Logan (Hugh Jackman) antes de ser recrutado pelo time de Charles Xavier. Um filme fraco, com muitos efeitos especiais e pouca história, fez com que os produtores da 20th Century Fox (detentores dos direitos cinematográficos dos X-Men) repensasem um filme paralelo sobre a origem do vilão Magneto (Sir Ian McKellen, na trilogia original). O projeto semi-engavetado acabou tornando-se X-Men: A Primeira Classe (2011), que foca sua estória na vida do atormentado Erik Lensherr (Michael Fassbender) e do jovem Charles Xavier (James McAvoy), que se encontram para formar o primeiro grupo dos X-Men. Muito bem conduzido pelo diretor Matthew Vaughn (Stardust – O Mistério da Estrela – 2007), que teve a supervisão do, agora produtor, Bryan Singer, e conseguiu apresentar uma película ao mesmo tempo emocionante e bombástica.
Parte de um acordo de anos atrás, que liberou algumas franquias da Marvel Comics para produtoras de cinema, a 20th Century Fox foi ainda responsável pela introdução de outras duas franquias de heróis no cinema.
Demolidor – O Homem Sem Medo (2003), contava com Ben Affleck dando vida ao advogado cego Matt Murdock, que percorria o temido bairro de Hell’s Kitchen em Nova York durante as noites para combater os criminosos que a Lei não conseguia prender. De sucesso moderado, o filme recebeu muitas críticas negativas de especialistas e fãs do personagem. Na película, também é apresentada a personagem Elektra Natchios (Jennifer Garner), que alguns anos mais tarde ganharia seu próprio filme, Elektra (2005), onde a herdeira de um embaixador grego renasce após morrer nas mãos do vilão do filme do anterior, para se tornar uma mercenária e heroína ocasional.
Quarteto Fantástico (2005) foi uma produção de relativo sucesso (levando em consideração ter sido um projeto engavetado em 1994, devido a qualidade duvidosa do material da época). Produzido como uma “aventura para a família”, foi exatamente o que entregou, decepcionando os fãs, mas conquistando o público em geral. Isso garantiu a continuação Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007), que não agradou como o esperado.
Outra franquia que teve seus direitos precocemente vendidos pela Marvel foi a do Amigão da Vizinhança que foi para a Sony Pictures. Homem-Aranha (2002) comandado com maestria pelo egresso dos filmes de terror trash Sam Raimi (Uma Noite Alucinante: a Morte do Demônio – 1981 e Arraste-me Para o Inferno – 2009), trouxe o início da saga do jovem Peter Parker que deve aprender a “grande responsabilidade” que sobreveio aos seus grandes poderes recém-adquiridos. Com elenco principal intacto (Tobey Maguire, Kirsten Dunst e James Franco), a franquia produziu 3 filmes memoráveis, porém com um longa final aquém dos outros, muito devido à interferência dos estúdios que queriam a inclusão de mais um vilão popular entre aqueles que já estavam na estória principal.
Um filme que tentou trazer uma visão mais profunda da personalidade do personagem principal em contraste ao caráter “físico” de suas estórias foi Hulk (2003) do diretor Ang Lee (O Segredo de Brokeback Mountain – 2005). Com direção sensível, efeitos na medida e atuações sem grandes exageros do casal protagonista Eric Bana e Jennifer Connelly, o filme foi execrado pela crítica por tentar ser mais um drama psicológico do cientista Bruce Banner (Bana) do que o esperado blockbuster de ação.
Sentindo o filão novo que se formava, a Marvel começou a reunir o máximo possível de seus direitos autorais de personagens e a produzir seus próprios filmes, em parceria com pequenos estúdios associados. O Justiceiro (2004) e Motoqueiro Fantasma (2007) foram algumas das primeiras tentativas, pouco bem sucedidas, de levar estórias mais elaboradas de seus personagens ao cinema. Um tipo de remake ainda foi produzido em Justiceiro: em Zona de Guerra (2008), para tentar alavancar a popularidade de um personagem tão sombrio quanto Frank Castle, um anti-herói que se encaixaria perfeitamente no estilo cinematográfico da época.
Vendo que suas duas maiores franquias ainda estariam presas a contratos de licenciamento por algum tempo (X-Men e Homem-Aranha), a Marvel criou seu próprio estúdio, determinada a controlar completamente o desenvolvimento de seus filmes, com um plano maior em mente.
Assim, a Marvel Studios começou a desenvolver seu “Marvel Cinematic Universe”, lançando o sucesso de bilheterias Homem de Ferro (2008) de Jon Favreau, que nos introduziu a Tony Stark (Robert Downey Jr.) o brilhante, porém fanfarão, milionário que cria uma armadura para se manter vivo e combater o crime. No mesmo ano O Incrível Hulk (2008) chega aos cinemas como uma reformulação do personagem que praticamente ignora o primeiro filme.
Com esta base lançada, produziu a excelente continuação Homem de Ferro 2 (2010), onde começa a se formar um interessante cenário para o ‘Universo’ criado o primeiro filme. Tal formação continua no ótimo Thor (2011), que conta com a presença estelar do diretor Kenneth Branagh e no elenco Natalie Portman, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård e Renee Russo, além das revelações Chris Hemsworth, Kat Dennings e Idris Elba. Com Capitão América: o Primeiro Vingador (2011), a Marvel apresenta seu mais icônico personagem, aquele que eventualmente levará este universo cinematográfico à união em Os Vingadores (previsto para Maio/2012).
De forma mais contida, a grande rival da Marvel Comics no universo quadrinístico, a DC Comics, controlada pelo grupo Time/Warner, dona dos estúdios Warner Bros. Pictures, começou a investir novamente no universo dos heróis.
Apesar dos fracos Mulher-Gato (2004), que mesmo sendo estrelado pela ganhadora do Oscar Halle Berry e custou U$100 milhões em sua produção, só conseguiu arrecadar cerca de U$82 milhões em bilheterias e DVDs, Constantine (2005) e Jonah Hex (2010), o estúdio não deixou de perseguir o sonho de construir um universo próprio para seus personagens no cinema, usando para isso seus figurões para tal.
Superman: O Retorno (2006), foi um revival tentativo do universo do Super-Homem criado pelos dois primeiros filmes do herói feitos por Richard Donner. Dirigido pelo experiente Bryan Singer, o filme não foi bem aceito por público e crítica, pois apesar de lidar com um vilão clássico, Lex Luthor (Kevin Spacey), o herói não enfrenta um desafio a sua altura, algo essencial para os novos tempos do Cinema.
Lanterna Verde (2011), trouxe Ryan Reynolds no papel do piloto de caça profissional Hal Jordan, um dos heróis mais queridos dos quadrinhos. Com uma fórmula simples e efeitos especiais bem elaborados, mesmo que não perfeitos, o filme agradou o público, se pagou moderadamente ainda nas bilheterias e já garantiu uma continuação que será produzida nos próximos anos.
Mas a grande vedete dos olhos da Warner é sem dúvida a saga do Homem-Morcego contada pelo genial diretor Christopher Nolan. Com carta branca para reiniciar e revolucionar a forma de contar a estória de um dos persongens mais clássicos da DC Comics, Nolan nos presenteou com o fantástico Batman Begins (2005), filme consagrado em público e crítica, que nos apresentou a versão mais realista e crível do super-herói criado pelo milionário Bruce Wayne (Christian Bale) para limpar a cidade cidade de Gotham do mal.
Com O Cavaleiro das Trevas (2008), primeiro filme de todos os tempos do heróis a não levar o nome Batman no título, Nolan criou aquele que muitos crêem ser o melhor filme de personagens de todos os tempos. Com uma trama muito bem amarrada e atuações magistrais de Bale, Michael Caine, Aaron Eckhart e o fantástico trabalho de Heath Ledger como O Coringa, übervilão de Batman, que lhe rendeu o Oscar póstumo de Ator Coadjuvante.
Por esta confiança no trabalho sério e objetivo de Christopher Nolan, talvez um dos filmes mais esperados deste ano seja O Cavaleiro das Trevas Ressurge (previsto para Julho/2012), terceiro e último filme da saga dirigida por ele. Elevado ao título de supervisor do “universo DC” no cinema, Nolan ainda ajuda como produtor no futuro filme do Super-Homem, que está em produção e promete reiniciar a lenda do “Homem de Aço” nos cinemas a partir de 2013.
Com isso, chegamos ao fim por hoje e na última parte da coluna de Quadrinhos no cinema, veremos semana que vêm como os quadrinhos considerados “independentes” também conseguiram um ‘naco’ do sucesso em Hollywood.