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Salada de Cinema/Entrevista

Salada de Cinema entrevista o elenco de ‘Os 3’

Publicado em 03/11/2011 / Por: Heitor Machado

elenco Os 3

Tivemos a oportunidade de conversar os três atores que dão origem ao “Os 3” do filme. Juliana, Gabriel e Victor, os protagonistas, contaram um pouco de como foi a experiência de fazer o longa-metragem de Nando Olival. Os três atores deram uma entrevista bem divertida, durante a divulgação do filme no Festival do Rio, comprovando mais uma vez que a química entre eles também existe fora das telas. No cinema, a partir de sexta-feira, você poderá ver como isso funciona. Não deixe de conferir!

Salada de Cinema – Conta um pouco pra gente dos personagens de vocês. Como eles são? Sabemos que o Cazé, personagem do Gabriel, é mais irresponsável, por exemplo…

Juliana: A Camila tem uma coisa de ser muito independente, de se colocar, de propor e ter idéias…

Gabriel: Eu acho que o Cazé, meu personagem, tem esse lado da irresponsabilidade, mas é um responsável bem ingênuo. Porque ele vai, mas na verdade ele pouco sabe. Ele é pouco inteligente, pouco maduro. Então acho que ele tem esses dois lados. De achar que é uma coisa e de ser ainda muito menino, e de ter muito o que aprender.

Victor: O Rafael é mais introspectivo, mais observador e que aos poucos vai ficando mais a vontade com esses dois e roubando um pouquinho da Camila, começando a se colocar também, e roubando do Cazé essa coisa do humor e também se torna um pouco irresponsável. Ele pega um pouco de cada um.

Salada de Cinema – Mas no filme o Rafael é o único que vai atrás de um emprego…

Victor: Ele acaba indo mais. Mas ele acaba fazendo isso justamente pela situação que levou ele para outro lugar, mas que já está sufocando ele. Ele está nesse limite.

Salada de Cinema – E essa química entre vocês três, que é muito evidente na tela. Vocês já se conheciam antes?

Juliana: O Victor já conhecia o Gabriel. E o Gabriel já me conhecia porque eu era muito amiga de uma ex-namorada dele.

Victor: Ex-namorada que inclusive te indicou para o teste.

Juliana: Ela me indicou pro teste! Uma fofa, linda. Mas a gente chegou no trio…

Gabriel: Nós estudamos juntos em várias escolas de teatro.

Juliana: Verdade. Já nos conhecíamos de passar pelas mesmas escola de teatro. E aí fizemos o teste.

Victor: Na verdade eu e a Ju fizemos sete testes.

Juliana: Eu acho que você fez mais testes que eu.

Victor: É, eu fiz sete e a Ju fez uns 5. O Gabe, na verdade, estava completamente desacreditado desse projeto. Porque ele fez um teste, dois testes e não ligaram mais.

Salada de Cinema – Mas por que não te ligaram?

Gabriel: Porque quando eu fui fazer o teste, depois de muita batalha, já que não queriam me deixar fazer o teste, por causa da idade… O dia que eu consegui fazer o teste o Nando saiu pra tomar um café, bem na minha hora. Então ele acabou não me conhecendo pessoalmente. E eu acho que isso para um ator, no teste, é necessário estar com o diretor. O teste está valendo na hora em que você entra ali, na porta, antes do “ação”. Então rolou isso. Eu encontrei o Victor em um teste de publicidade depois, e ele falou “poxa, estou lá nos testes de ‘Os 3’” e eu falei “poxa, já saí fora, não me ligaram mais…” Então isso foi interessantíssimo.

Victor: Fomos nos conhecendo nos testes, e no penúltimo teste o Nando trouxe o Gabriel e mais dois atores pra fazermos juntos. O Gabriel foi o primeiro a entrar na sala e foi impressionante como as energias se completavam, e aquele trio se formava ali. Foi muito revelador, porque os outros que vieram na sequência não tiveram a mesma conexão.

Gabriel: Rolou uma generosidade muito grande quando eu cheguei, por nos conhecermos, de certa forma.

Juliana: O Gabriel tem que agradecer a gente…

Salada de Cinema – E Juliana, você acha que a Camila é uma indecisa? Ama os dois mas não se decide entre eles?

Juliana: A Camila tem umas ideias muito fortes, e ela pensa muito. Mas quando o emocional bate, aquilo modifica a situação. Uma coisa é pensar que eles não podem se relacionar. Outra coisa é a dinâmica do convívio do dia a dia, e a emoção que aflora. Ela estava muito feliz com eles, completamente entregue. Eles não são irmãos, são amigos. Então a sexualidade que rola entre os três a atinge. E aquele amor, ele pode ser um amor possível. Então por que não?

O filme começa com quatro palavras: amizade, amor, paixão e tesão. Com o passar do filme, senti uma necessidade da palavra “ciúme”, porque tudo termina em ciúme, não?

Gabriel: Acho que o ciúme cabe em todos. Talvez quiseram colocar quatro adjetivos mais positivos, e dentro desses quatro, sabemos que existem diversos negativos. Talvez tenha sido mais por isso.

Juliana: Porque a relação que eles estabelecem com o ciúme não é uma relação doentia. O ciúme vem como uma consequência, mas é um ciúme silenciado. O Rafael não briga com os dois, ele quer ir embora.

Victor: No primeiro plano era a amizade.

Salada de Cinema – Então, por isso que falei que tudo termina em ciúme. Porque ele entra no final…

Juliana: Mas eles não deixam que esse cúume entre como um rompimento.

Gabriel: Acho que isso é uma coisa interessante. Todo mundo espera quando vai ver o filme, é que é um filme jovem. E começa com essas quatro palavras, e você pensa que vai ser gostosinho. E aí tem essa surpresa.

Salada de Cinema – E eu já perguntei isso pra Sophia, mas vou perguntar para vocês também. Houve algum improviso? Pergunto porque você claramente vê a química entre vocês.

Gabriel: Houve pouquíssimo. É um filme muito técnico, o Nando sabia muito bem o que queria. E ele conseguiu nos dirigir de uma forma muito boa, porque não houve preparação de elenco. Ele conseguiu dirigir de forma precisa, então rolou uma confiança dele conosco, e nós confiamos nele. Quando eu vi, estava fazendo as coisas de uma forma tão leve e espontânea. Eu coloquei mtos desafios, porque acho que o ator coloca um caminhão de coisas: criar, fazer… E não precisava. Era só simplesmente ser de uma forma sutil. E ele conseguiu.

Salada de Cinema – E nós vimos no filme uma indecisão deles, a respeito do curso, do futuro. Vocês passaram por essa fase ou sempre quiseram ser atores?

Juliana: Eu comecei com psicologia. Quando entrei, eu não iria fazer teatro, e eu falava: “vou fazer a vida toda, mas vai ser hobby!”

Victor: Comecei em Rádio e Televisão. Me formei mas, meu diploma está lá na faculdade até hoje.

Gabriel: E a gente vem trabalhando com essa coisa de escrever.

Victor: O gabe começou fazendo jornalismo. E nós escrevemos, organizamos idéias…

Gabriel: Para mim, hoje, é um foco de quase 50%, escrever e dirigir. Não quero ser só ator.

Juliana: Eu também fiz o “Tropa de Elite 2” e “Vips”. E fiz duas novelas também: “Três Irmãs” e “Morde e Assopra”.

Por Heitor Machado

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