Em um agradável hotel no bairro do Leblon no Rio de Janeiro, o ator Rodrigo Santoro e o diretor André Ristum deram uma entrevista coletiva aos jornalistas cariocas para falar do drama “Meu País”.
No filme, um homem bem sucedido tem que voltar às pressas da cidade onde mora (uma cidade italiana) para o Brasil, por conta do falecimento de seu pai. Chegando em sua terra natal, reencontra seu irmão e descobre que seu pai tinha uma outra filha, bastante especial. O impacto da chegada da jovem especial gera consequências que recaem sobre a relação já deteriorada da família.
Muitos temas foram abordados pelo ator e o diretor, como: a composição dos personagens, o sucesso de público e crítica do longa, além dos prêmios vencidos no recente Festival de Cinema de Brasília.
Abaixo, segue algumas perguntas e respostas da coletiva:
Como foi a construção do personagem Marcos?
Rodrigo Santoro: Eu parti do princípio que ele (o personagem Marcos) tinha uma personalidade quase que oposta a da minha. O que achei interessante logo de cara. É um cara que não lida bem com o afeto e que rompeu com essa família, se afastou, e em dado momento retorna para a família, por conta do falecimento do pai. Após sua chegada, tem que se relacionar novamente com o irmão e com a nova irmã, isso vai transformando o personagem, abrindo esse cara aos poucos para o afeto e para as relações dentro da família. Fiz também, algumas pesquisas, tive aula de italiano já que no filme eu falo esse idioma, uma língua que nunca tinha falado antes.
Você é descendente de italiano, não é?
Rodrigo Santoro: Meu pai é italiano mais veio muito cedo para o Brasil, com quatro ou cinco anos de idade. Meus avós sim, eu tinha alguma referência de escutar eles conversando nesse idioma. Mas nunca falei.
Qual foi a cena mais complicada? A cena do enterro?
Rodrigo Santoro: Não… ali o Marcos está concentrado, se você reparar, na lápide da mãe. O mais difícil foram às cenas em italiano. Eu lembro que sempre quando eu olhava na ordem do dia, eu falava: “Hoje é dia!”. Porque você necessita se concentrar mais, é muito trabalhoso e eu tive a ajuda do diretor André Ristum, que fala italiano. Era mais cansativo, mais tenso para eu rodar essas cenas.
Como foi a sua troca com o restante do elenco? O processo antes e durante as filmagens.
Rodrigo Santoro: Quando eu fui a São Paulo, uma semana e pouco antes de começar a filmar, a gente teve esse processo com a preparadora Lais Correa e basicamente foi assim: iniciamos eu e Cauã Raymond trabalhando um pouco a relação desses irmãos, tentando de certa forma construir esse passado, mostrando como era a relação desses dois, e depois, a Débora Falabella foi inserida nesse trabalho e criamos a relação desses três. Fora isso, muita leitura. O André Ristum, (o diretor do longa) sempre foi muito aberto para ouvir o que achávamos do personagem.
Você ficou muito emocionado ao receber o prêmio de melhor ator, por esse filme, no festival de cinema de Brasília. Explica um pouco dessa emoção.
Rodrigo Santoro: Porque foi o prêmio do Festival de Brasília. Eu recebi aquele mesmo prêmio 11 anos atrás pelo filme O Bicho de Sete Cabeças, logo quando eu comecei a fazer cinema. Esse prêmio foi transformador em minha vida. Ontem, eu vi o prêmio e me lembrei bastante da minha primeira conquista e não estava conseguindo controlar o que estava sentindo, nem lembro o que falei para dizer a verdade, tive que ficar respirando, respirando, porque eu estava muito emocionado.
Como foi a preparação do elenco?
André Ristum: Já na preparação desde o começo, a gente sabia que era um filme de personagens e que nós deveríamos dedicar ali um tempo grande para isso. No tempo que a gente conseguiu, preparamos um mês antes da filmagem, esteve envolvida a Lais Correa (uma preparadora de atores) e juntos fomos criando essa relação. Era importante ter os três irmãos juntos por um período maior possível. Todos os atores trouxeram muito para a composição dos personagens. Eu tinha inicialmente um roteiro muito longo e aos poucos fomos polindo, chegamos para filmar com um roteiro de 90 páginas, e com a preparação fomos limpando um pouco mais esse roteiro.
Ainda é muito difícil produzir cinema no Brasil?
André Ristum: É complicado. A gente tem um monte de mecanismos: leis de incentivos, agora mais recentemente o fundo setorial que veio para dar uma mão forte para a produção, está cada vez melhor. Os mecanismos estão funcionando, mas a gente precisa de muito ainda, é necessário a ampliação do leque de empresas que podem investir em cinema. Se esse leque crescesse, seria sensacional. É realmente difícil. Demora muito tempo para organizar e botar o projeto pra frente. Cinema é uma prática muito cara. Tem que ter muita paciência e perseverança para conseguir viabilizar um projeto e levar ele até o fim.
Por Raphael Camacho