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Salada de Cinema entrevista o cineasta João Rocha, sobrinho de Glauber Rocha

por Fernando Império comentários

João RochaJoão Rocha é muito mais que o sobrinho do grande Glauber Rocha, é o criador de um cinema novo e seu novo trabalho “Profana” quer mostrar isso. Reuniu alguns amigos e rodou esse, que é seu primeiro longa-metragem. Atualmente produtor dos festivais “Macaé Cine” e “Noite Contemporânea Cine Fest”, João já recebeu um convite pra filmar no exterior, mas precisamente, uma co-produção Brasil-Estados Unidos.

Sobre esse início de carreira no cinema, fomos conversar com esse simpático diretor.

Salada de Cinema – Conte um pouco sobre os Festivais “Noite Contemporânea Cine Fest” e “Macaé Cine” onde você atua como produtor.

João Rocha – Os dois festivais (ainda sem patrocínios) surgiram quando eu o Thales de Moraes, (também produtor executivo do festival), percebemos que nossos cineclubes mensais voltados para o público de curtas metragens e pré-estréias, estavam tendo uma grande demanda e se destacando rapidamente no mercado audiovisual. Ficou claro, que apesar do avanço tecnológico em mídias digitais e a facilidade de se realizar boas produções com qualidade com baixo orçamento, os realizadores ainda tinham grande dificuldade de exibir seus trabalhos e  fazê-los circular. Decidimos então criar os Festivais “Noite Contemporânea Cine Fest” (Rio de Janeiro) em 2010 e hoje em sua Segunda edição, contamos  com uma extensão em Florianópolis, produzida pela produtoras Adriana  Copetti e Iara Faccini e  conseguimos o apoio da Secretaria de Cultura do Estado  do Rio de Janeiro, que mantém o ponto de cultura que funciona no Tempo Glauber, sede do festival, e também um apoio muito generoso da Academia Brasileira de Cinema, para a qual indicaremos nossos melhores filmes para a seleção do Grande Prêmio 2012. O “Macaé Cine” é um festival paralelo que acontece no município de Macaé – RJ e funciona como uma extensão do circuito “Noite Contemporânea”, pretendendo também dar principalmente, visibilidade aos trabalhos audiovisuais realizados por moradores daquele município, que contam com pouquíssimas possibilidades de exibição e tem excelentes trabalhos; para isso foi criada uma mostra especifica chamada “Visões Macaenses” dentro do festival; idéia do Thales de Moraes, que é Macaense e acompanhou desde cedo os poucos movimentos cineclubistas que aconteciam na cidade.

Voltando ao “Noite Contemporânea”, acabamos de fechar um intercâmbio  internacional com o Festival de cinema de La Plata, o “Fesaalp”, que este ano nos convidou para representar o Brasil na Mostra “10 filmes, 10 países, 1 Continente” e onde tive o prazer de ser parte do Júri oficial. A proposta é que a partir da próxima edição, já façamos esse intercâmbio de filmes, expandindo assim o circuito de exibição para fora do país e que tenhamos sempre uma mostra internacional aqui com os filmes do acervo deles já que os produtores Lia Gomez e Federico Ambrosis já possuem um acervo de filmes com mais de 600 títulos.

Outras extensões estão sendo estudadas em parceria com Andrea Vianna, uma das produtoras do Focus Vídeo Fest – EUA e no Japão.

Salada de Cinema – Como surgiu a idéia para fazer o seu longa-metragem Profana? Como foi a escolha do elenco?

João Rocha – Profana na verdade foi o maior desafio que me propus em toda minha vida. Além de ser uma necessidade pessoal realizá-lo, era uma longa sem recursos, orçado em mais de um milhão de reais e com uma linguagem que precisava ser inovadora para que desse certo. Eu tinha um roteiro que inicialmente seria um curta e durante uma reunião com o Luis Carlos Barreto, Neville D´Almeida e José Wilker, na época, Presidente da RioFilme, para discutir questões do Tempo Glauber, aproveitei a oportunidade e resolvi falar a respeito.

O Barreto sempre acreditou no meu potencial e na verdade foi ele quem me deu minha primeira chance no cinema em: “O QUE É ISSO COMPANHEIRO?” filme de Bruno Barreto que concorreu ao Oscar. Ele parou a reunião, leu o roteiro e disse… “João, você é danado, mas você não vai fazer um curta não… vai fazer um longa”!  E assim foi! Não tinha verba, nem estrutura nenhuma. Juntei uma equipe muito legal que acreditou no projeto, herdei o “Dib Lutfi“ na fotografia adicional e cai dentro. O elenco não tinha celebridades, preferi escolher rostos anônimos que criassem um elo de realidade entre público e personagens. Pessoas comuns que você poderia encontrar na rua, a qualquer instante. Tirando o Felipe Martins e o Vinicius Manne, são todos desconhecidos; apenas nos depoimentos que costuram a trama, recorri a personalidades. Foram anos para concluir Profana. Cheguei a pensar que ele nunca acabaria. Tive que aprender a montar o filme sozinho, recriar partes inteiras do mesmo com novo elenco e equipe, pois as fitas com o início e o fim do longa haviam se perdido e foi uma maratona louca. Depois maratona de finalização. Tudo com recursos próprios. O filme ainda foi visto por muito poucas pessoas, pois ainda não tenho distribuição no Brasil, apesar de ter propostas de distribuição em Los Angeles e Londres; mas alguns críticos e jornalistas brasileiros se tornaram fãs do filme que traz um CARÁTER de CINEMA BRASILEIRO NOVÍSSIMO para as telas.

Salada de Cinema – Você é sobrinho de um dos maiores diretores que o Brasil já produziu, Glauber Rocha. Seu modo de ver o cinema é parecido com a de seu tio?

João Rocha - SOU UM ROCHA, MAIS ESTOU LIVRE DE QUALQUER RÓTULO. Dividimos os mesmos GENES, mas nossos tempos são diferentes. Evitei a obra do Glauber durante anos para não sofrer influência direta. Não vi os filmes até meados de 2000… Meu trabalho não é e nem será voltado prioritariamente para questões políticas e sociais… Minha Catarse é contemporânea, objetiva. Gosto muito do lúdico… de trabalhar o imaginário, acho que nosso cinema precisa de um pouco de MAGIA.  A criatividade anda em BAIXA por aqui no Brasil e estou me propondo a entrar suprindo um pouquinho dessa necessidade. Trazer um pouco disso para nossas telas. Profana (representada por Anaterra Freire) é uma Deusa mística… uma entidade. Um símbolo que representa a fusão de vários deuses em uma coisa só. O filme é metafórico sim, uma overdose de imagens, ritmos e sons, mas qualquer pessoa entende a trama… Não quero que as pessoas precisem de um interlocutor para entender o meu trabalho.

Salada de Cinema – O que é cinema para você?

João Rocha – Como diz um primo meu…cinema hoje é transmídia… sai da tela grande..o cinema é portátil, se tornou um formato cada vez livre de conceitos pré-estabelecidos. O cinema não tem mais fronteira. A coisa que eu menos gosto é essa coisa do preconceito que existe na classe cinematográfica enquanto a origem dos filmes. Vejo todo tipo de filme e de todos os países. Gosto do cinema americano, europeu, indiano… qualquer um. E sinceramente, “caguei” para a opinião dos outros sobre isso. Além do mais, vejo o cinema como uma extensão do ser humano se, pátria, como um todo. A arte mais completa, pois dentro dele, todas as outras artes têm o seu espaço… e isso é genial! Amo o cinema e não vivo sem ele… Mas ainda é muito difícil conseguir dinheiro.

Salada de Cinema – Ainda é muito difícil conseguir dinheiro (incentivo/patrocínio) para rodar um filme no Brasil? Por quê?

João Rocha – MUITO! São editais e festivais que já tem seus contatos e preferidos… Muita gente nova disputando poucos espaços, onde os grandes medalhões dominam. Existem as questões políticas também, pois as Leis de Incentivo e muitos patrocinadores, tem seus interesses e motivos políticos para escolher este ou aquele projeto.  Os festivais “RED CARPET”, são praticamente “exclusivos” dos grandes nomes que dão mídia e das produtoras musculosas. Pra conseguir algum espaço tem que fazer muito Lobbie e se meter no meio deles. Adaptar os roteiros e idéias aos interesses daqueles que estão por trás das canetas. É UM FATO e quem não gostar do que eu disse… Só lamento. Temos que difundir os financiamentos coletivos, os merchandisings nas produções e estimular os investidores de médio e pequeno porte a se unirem e investirem algum capital em novos projetos. Caras novas e verbas novas.

Salada de Cinema – E os projetos? Será que vai pintar mais um longa metragem?

João Rocha – Recebi a proposta de dirigir um longa-metragem de uma co-produção Brasil-Estados Unidos e estou pensando ainda. O filme ainda vai entrar em capitação e tal. Mas estou escrevendo dois roteiros para longa: Um Doc e um Ficção. Também para um curta, mas quero circular PROFANA antes e mostrar que ela está VIVA e aqui entre nós.

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João Rocha – Peguem as câmeras, juntem as pessoas e façam desta arte, uma arte cada vez mais coletiva! Despejem suas ideias no mundo!!!

Por Raphael Camado, do Guia do Cinéfilo

Fernando Império
Fernando Império

Jornalista, cinéfilo, tesão por inteligência e fã de filmes sem final feliz.

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  • carla

    MUITO LEGAL!!!!!!!!!!!!!!!! adorei a matéria! parabéns!!! Ele é genial!

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