Scott Pilgrim Contra o Mundo é uma adaptação dos quadrinhos/mangá de Bryan Lee O’Malley para o cinema nas mãos do diretor Edgar Write (Todo Mundo Quase Morto). No filme, Scott (Michael Cera no papel que ele nasceu pra fazer) é o baixista de uma banda de garagem, sem-emprego que se apaixona por Ramona Flowers e tem que derrotar a liga dos sete ex-namorados para poder ficar com a sua amada.
Falando assim pode parecer mais uma comédia adolescente boba, mas não é o caso. Scott Pilgrim é um filme que não pode ser assistido por alguém que nunca passou nervoso na (maldita!) fase da água de Super Mario Bros. Ou que, pelo menos, não ache normal você pegar uma vida extra andando pela rua. É um filme extramamente compentente ao falar com a geração que cresceu jogando video-games e não faz questão de explicar esse universo pra quem não é de casa o que pode afastar boa parte do público, mas é tambem o que torna o filme único. Nunca música, quadrinhos, video-games foram apresentados de maneira tão sólida sem rodeios ou explicações.
“We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff”
Além de quadrinhos e video-games outro aspecto importante de Scott Pilgrim é a música. Os personagens aparecem o tempo todo com camisas que fazem referências a bandas como Smashing Punpkins, e o próprio Scott faz parte de uma banda de garagem, a Sex Bob-omb. O gibi dá a tablatura de cada música da Sex Bob-omb e no filme o cantor Beck foi o responsável na transformação delas em música de garagem da melhor qualidade. Todas as músicas do Sex Bom-omb são tocadas e produzidas por ele e cantadas pelos próprios atores. A única música cantada pelo próprio Beck é uma agradável surpresa aos fãs que eu não vou estragar.
A trilha sonora conta ainda com Plumtree (a banda que “batizou” o Scott), Black Lips, Broken Social Scene, The Rolling Stones (com uma participação pequena, mas muito bem colocada no filme) e com destaque para os Canadenses do Metric, que, com a competência habitual, deram vida a ‘Black Sheep’ da ‘Clash at the Demonhead’, a banda da ex-namorada do Scott.
Mesmo com tudo isso, enquanto esteve em cartaz, Scott Pilgrim não atraiu o grande público. Talvez seja pela participação do Brandon Routh em um filme de quadrinhos, ou talvez pelo conhecimento de cultura pop que o filme exige para ser aproveitado. Mas se você tem essa bagagem: assista o filme, leia o gibi, compre a trilha sonora e jogue o jogo (no melhor estilo 16 bits), você não vai se arrepender, e é capaz de no meio do caminho entender que todos temos bagagem…
Por Nilson Jr