Ele não é sexy. Muito menos cativante; pelo menos sob o bastião do rock´n roll consagrado por figuras como Jim Morrison , Kurt Cobain, Mick Jagger e Bono Vox. Ele já foi um panda no cinema e um dos heróis dos incorrigivelmente grosseiros irmãos Farrelly (criadores do duo “Quem vai ficar com Mary?” e “Debi & Lóide”).
Jack Black virou cool em “Escola de Rock”, um filme de médio porte lançado em 2003, dirigido pelo indie Richard Linklater – dos fofos e românticos “Antes do amanhecer” e “Antes do pôr do sol”. Os anais da cultura pop receberam Black como um ator de sólida bagagem cômica e genuíno carisma roqueiro.
Em “Escola de Rock”, Black vive Dewey Finn, um tipo loser não muito diferente dos que ele costuma interpretar em outros filmes, que sonha em ser vocalista de uma banda de rock. Faltam-lhe recursos, embora ele sobeje na historiografia roqueira e emule uma atitude inconsequente que muito lhe aproximam daquele universo. Beberrão, folgado e super desencanado, ele acaba pegando um trabalho de professor substituto em uma escola secundária. Lá, sem ter a menor ideia do que fazer, ele subverte o currículo escolar em aulas de puro rock´n roll e acaba cativando alunos e professores.
“Escola de rock” rendeu a Jack Black uma indicação ao Globo de ouro de melhor ator em comédia/musical. Quase dez anos depois, permanece sendo o seu melhor trabalho no cinema. A inspiração foi tanta que o ator acabou montando uma banda de garagem e, sempre que pode, cruza os EUA com shows em beira de estrada. “Tenacius D”, de 2006, foi outra aventura cinematográfica bombada a rock que Black se envolveu. A história gira em torno de dois amigos que sonham em montar a maior banda de rock de todos os tempos e, para isso, roubam uma guitarra mágica. Semânticas à parte, Tenacius D é o nome da banda de Jack Black.
Vira e mexe, boatos de uma continuação para “Escola de Rock” surgem em Hollywood. Sempre entremeados por negativas de Black. O ator sempre admitiu que gostaria de reviver Dewey Finn, mas enquanto os boatos não viram notícia, Black vai curtindo sua fama de rock star improvável.
Por Reinaldo Glioche