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Salada de Cinema/Crítica

Minhas Tardes com Margueritte

Publicado em 30/05/2011 / Por: Fernando Império

Para quem estava com saudade da máquina de fazer filmes, Gérard Depardieu integra o elenco do filme com Gisèle Casadesus. Germain, seu personagem, é um homem simples que sofreu duramente o desprezo de sua mãe desde criança e ainda na vida adulta (tema facilmente comparado ao “bullying”). Mesmo assim, soube cultivar os pequenos atos de humildade, honestidade e gentileza.

Todo dia vai à praça comer seu sanduíche e observar os pombos, ao qual deu nome a todos. Em um desses dias, encontra uma senhora que curiosamente tem o mesmo nome de um dos pombos adotado por Germain: Margueritte (Gisèle Casadesus). Ela, uma senhora culta, que todo dia vai a praça para ler, tem um vigor natural, mesmo com sua idade. Os dois rapidamente se tornam amigos, e a história se desenrola na conquista de Germain em tomar apreço pela leitura, graças a sua amiga que lê alguns famosos autores para ele: Albert Camus, Romais Gary.

Germain além de sensível tem a simpatia dos moradores do vilarejo, apesar de ser frequentemente zombado por seus colegas sempre que ele solta algumas de suas “pérolas”.

Esse contexto muda ao contratempo em que sua prática pela leitura vai tomando forma, e moldando o intelecto do pobre homem. Porém, há uma resistência de sua parte, quando o conhecimento o leva a caminhos inimagináveis, calcada de preocupação e descontentamento de seus amigos.

Mesmo sendo um roteiro extremamente simples, sem nenhum ápice, o longa consegue retratar pela sutileza uma bela mensagem. Não é imposta a plateia que assiste apenas um significado de autoajuda, muito menos com cunho apelativo. A identificação com o personagem de Depardieu é momentânea, não é surpresa caso seja facilmente levado à emoção.

Subentende-se no roteiro de Jean Becker, o reflexo de comportamento do ser humano inversamente proporcional entre a busca pelo conhecimento e o retrato decepcionante da felicidade. Uma referência do escritor francês Anatole France premiado com o Nobel: “A ignorância é a condição necessária da felicidade dos homens, e é preciso reconhecer que as mais das vezes a satisfazem bem.”

Tecnicamente o filme exime de grandes recursos, uma neutralidade de cenário e efeitos, expondo o talento dos atores que compõe essa saudável produção francesa.

Por Guilherme Dietrich

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