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Críticas

Blindness – uma obra-prima

por André Sobreiro comentários

Após muita espera, muitos posts e twittadas, finalmente chegou ao Brasil a adaptação para o cinema de Ensaio sobre a Cegueira, famoso livro de José Saramago. A difícil tarefa ficou nas mãos do brasileiro Fernando Meirelles. Muito se falou desse filme na imprensa mundial. A presença de um brasileiro, seu elenco estelar, a fraca aceitação em Cannes, as diversas edições, tudo isso contribuiu pra elevar mais e mais as expectativas em torno do filme.

As impressões, por fim, não poderiam ser mais positivas. Antes, o enredo (se é que algum leitor aqui ainda não saiba): uma epidemia de uma cegueira branca atinge a população e o governo, sem saber a causa e a cura, passa a trancafiar essas pessoas, com medo de epidemia. Desse ponto surgem os conflitos. Pessoas extremamente diferentes trancafiadas em condições piores que as de animais e ainda por cima sem enxergar nada.

Toda essa situação cria um ambiente angustiante habilmente retratado pelo diretor. Sempre com uma fotografia e uma iluminação muito branca, que chega a desaparecer com alguns detalhes, nos expondo ao incômodo da cegueira branca.

Dentro daquele ambiente, as atuações ganham destaque. A primeira delas, a mais visceral, a mais intensa é justamente da personagem que enxerga: a mulher do médico. Julianne Moore encarna o sofrimento e a capacidade de se anular pelo próximo de uma maneira bastante incrível. Seu marido, vivido por Mark Rufallo, é a encarnação do bom-mocismo – apesar de uma das cenas mais impactantes mostrar o contrário.

Gael García Bernal, por sua vez, mostra por que é visto pelo mundo como um dos maiores expoentes latino-americanos. Seu Rei da Ala 3 é de uma crueldade ímpar, mas sempre com bom-humor. Outro destaque positivo fica por conta da brasileira Alice Braga. Com sua intensa beleza e talento, faz de sua rapariga uma personagem extremamente marcante.

Interpretações muito fortes, fotografia e iluminação impecáveis e a mão firme e segura de Meirelles fazem dessa difícil adaptação uma obra-prima. Algumas de suas cenas provocam tamanho impacto no público que é bem difícil sair do cinema sem lagrimas nos olhos – ou por todo o rosto. Uma intensa experiência sensorial. Valeu cada segundo de espera.

Studio na Colab55
André Sobreiro
André Sobreiro

Jornalista, daqueles que acredita no momento mágico em que as luzes do cinema se apagam e o filme vira a realidade

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Comentários
  • Cassita

    Ler seu texto me deu o mesmo arrepio que senti durante o filme inteiro. Fato: Fernando Meirelles conseguiu reproduzir mto bem uma obra-prima. E quem se importa com aceitação em Cannes? hahahahaha

  • Pedro Medeiros

    Minha turma vai sabotar a aula hoje para ir ao cinema assistir esse filme. =)

  • vini :]

    preciiiso ver esse filme, não passa desse findi. Legal seu blogo :)

  • Cecilia Barroso

    Grande texto!
    Confesso que quando li o livro pensei que seria impossível adaptá-lo para o cinema, mas era Fernando Meirelles que estava a frente do projeto e isso podia gerar um resultado interessante.
    No cinema descobri que o filme era muito mais do que interessante. O livro não estava ali diante dos nossos olhos, mas a alma dele sim.
    Obra-prima mesmo!

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